CBA celebra 20 anos


CBA celebra 20 anos
A tarde do dia 24 de julho, marcou os 20 anos de criação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), instituição que surgiu com a proposta de empreender ações para a melhoria da qualidade em saúde no Brasil.
A celebração dessa caminhada ocorreu na Fundação Cesgranrio, instituição que abrigou a primeira sede do CBA, em 1998. Foi lá que um grupo de médicos, educadores e pesquisadores discutiam semanalmente o futuro da saúde e a melhoria da qualidade nos serviços de saúde no país. Entre esses líderes estavam o diplomata e representante do Brasil na ONU e OEA, Amílcar Ferrari; o ex-reitor da UERJ, ex-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e pesquisador honorário da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Hésio Cordeiro; o cirurgião e sanitarista Nildo Aguiar, ex-diretor do Hospital de Ipanema, onde implantou o primeiro programa de combate a infecção hospitalar do país, em 1964; Omar da Rosa Santos, ex-presidente da Sociedade de Nefrologia do Rio de Janeiro e membro da Academia Nacional de Medicina, onde ocupa a cadeira de no 17; Orlando Marques Vieira, ex-presidente da Sociedade de Gastroenterologia do Rio de Janeiro e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e detentor da cadeira de no 75 da Academia Nacional de Medicina; José de Carvalho Noronha, ex-Secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e ex-Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde e a médica especializada em saúde pública e ex-professora da UFF e também ex-Secretária de Saúde do Estado, Maria Manuela Alves dos Santos, além do presidente da Cesgranrio, Carlos Alberto Serpa de Oliveira.
Maria Manuela relembrou importantes momentos da história do CBA, destacando como ponto-chave o convênio com a Joint Commission International (JCI), mais antiga e renomada organização internacional de avaliação da qualidade e segurança em saúde do mundo. “Nesses 20 anos, percebemos que não podemos só curar. É preciso prevenir e criar bons hábitos. E a disseminação dos padrões de qualidade implementados pelo CBA, através da metodologia da JCI, foram fundamentais para que instituições brasileiras deixassem de ter uma percepção empírica da qualidade de seus serviços e passassem a ter métricas de segurança nos serviços por elas prestados”, pondera, ressaltando a parceria CBA-JCI se mantém até os dias atuais. “Nosso trabalho vem sendo reconhecido pela JCI, tanto que formamos 12 avaliadores para o CBA, todos integrantes também do quadro de avaliadores da JCI, além de termos nosso contrato de parceria renovado”.
Para o presidente da Cesgranrio, num momento em que há um abandono da saúde pública no Brasil e em especial no Rio de Janeiro, o papel do CBA redobra de importância. “Se tem alguém que possa fazer alguma coisa pela qualidade na saúde é o CBA, especialmente, nesse momento pelo qual passamos. E eu novamente conclamo os membros do CBA a levantar a ideia da qualidade na área da saúde”. E completou, “precisamos de gente nova para levar adiante o que fizemos há 20 anos”.
A solenidade marcou ainda o lançamento do Prêmio Amílcar Ferrari para o melhor projeto de gestão desenvolvidos por instituições de saúde do Brasil, a ser entregue ano que vem durante o Congresso Internacional CBA de Acreditação. Para a viúva de Amílcar Ferrari, a homenagem evidenciou o reconhecimento ao excelente trabalho do marido pela qualidade da saúde no Brasil. “A criação de um prêmio com seu nome demonstra a excelência com que sempre pautou sua vida, trazendo a expectativa de mais qualidade ao melhor trabalho sobre liderança, gestão e inovação, características que lhe eram inerentes”, diz Laura de Saint-Brisson.
Dia de homenagens
Além da homenagem a Amílcar Ferrari, o CBA fez um tributo a seus fundadores: Hésio Cordeiro, Nildo Aguiar, Omar Santos e Orlando Vieira. “Compartilho essa sensação de realidade com o professor Serpa e com a Dra. Maria Manuela, que foram fundamentais para a transformação do ideal da qualidade em saúde”, disse o Hésio Cordeiro ao receber a homenagem. Omar Santos relembrou sua chegada ao CBA ao receber seu louvor: “No ano de 1988, o presidente da Academia Nacional de Medicina, o acadêmico Jarbas Anacleto Porto, me designou para fazer parte do grupo instituidor do CBA e desde essa época tenho trabalhado junto com meus companheiros pela qualidade na saúde. Felizmente, temos nos sentido ‘em casa’ todos esses anos”. Orlando Vieira reiterou que a qualidade é o lema do CBA. “As pessoas acreditaram também nisso. E isso também foi muito importante: acreditaram, investiram e realmente procuraram levar qualidade, principalmente, para a Medicina”. A viúva de Nildo Aguiar se mostrou feliz com a homenagem ao marido: “Fico muito emocionada com essa homenagem a ele, pois, realmente, ele era dedicado a todas as questões da saúde, do social”.
Depoimentos
“Não se falava em segurança, naquela época. Foi muito interessante colaborar com o trabalho que ia ter um impacto direto nos serviços de saúde, do ponto de vista da melhoria da qualidade. Uma pena que ainda tenhamos poucos serviços acreditados. O CBA foi inovador e é uma marca importante nesse sentido, sempre contribuindo para essa melhoria, uma vez que esse é um processo dinâmico; a questão da qualidade e segurança tem que estar sendo pensada e praticada permanentemente.”
Cláudia Travassos, pesquisadora aposentada da Fiocruz; foi do grupo que foi para Chicago conhecer a JCI e coordenou a adaptação do manual americano da JCI para o manual de acreditação do CBA, no Brasil.
“Quando trouxemos essa metodologia para o Brasil, tínhamos muitas dúvidas se seria viável no país por conta das características das instituições locais comparadas à realidade americana. Mas depois entendemos que, além de avaliar e certificar instituições, o grande instrumento era o processo educativo que a gente fazia ao longo disso. Hoje os estudos internacionais falam que para mudar uma cultura dentro das empresas de forma positiva leva de 7 a 10 anos.”
Heleno Costa Júnior, consultor para processos de gestão da qualidade e segurança em saúde
“Estou nessa trajetória junto ao CBA há 13 anos. Tem sido muito gratificante participar disso. Nos seminários que eu participava, ficava muito preocupado porque percebia que as instituições escondiam as coisas que não davam certo. Hoje, as instituições discutem essas coisas abertamente. Foi difícil chegar a esse ponto, mas entendemos que precisamos melhorar e temos que enfrentar esses eventos de alma e peito abertos.”
Antonio Jorge Dias Fernandes dos Santos, coordenador de Educação do CBA
“O CBA é um organismo acreditador diferenciado. Nós entendemos que uma empresa como a JCI, que é parceira do CBA, seleciona as empresas para se associar de maneira extremamente criteriosa. E durante esses anos todos a JCI tem avaliado a capacidade do CBA representá-lo adequadamente. E isso a gente tem feito de uma forma muito interativa com eles. O CBA também tem contribuído com seus produtos próprios ao longo desses 20 anos no sentido de avaliar sempre a conformidade com os melhores padrões que garantam a assistência ao paciente da maneira mais segura possível em um meio que todos sabemos que é extremamente perigoso, com uma série de riscos que são os cuidados de saúde.”
José de Lima Valverde Filho, coordenador de Acreditação do CBA.

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