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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Hospital de Clínicas de Porto Alegre cria programa de combate à sepse e reduz taxa de mortalidade na unidade



Hospital de Clínicas de Porto Alegre 
cria programa de combate à sepse e reduz taxa de mortalidade na unidade
Maior causa de morte entre pacientes internados em UTIs brasileiras - cerca de 55,7% dos casos da complicação registrados em unidades hospitalares no país em 2017 resultaram em óbito, segundo levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pelo Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas) -, a sepse é uma das maiores preocupações nas unidades de saúde. O cenário alarmante fez com que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) acendesse o alerta para a adoção de medidas visando reduzir o número de ocorrências da doença, criando um programa especial para este fim. Em quatro anos de implantação do projeto, a taxa de mortalidade por sepse na unidade caiu de 55% para 40%.
O Programa Intrahospitalar de Combate à Sepse (PICS) começou na unidade em 2013 através de um levantamento cujo objetivo era identificar quais áreas apresentavam possíveis déficits que causavam lentidão no processo do tratamento do paciente com sepse.
“O atendimento deve começar com o reconhecimento precoce do problema. Para isso, montamos um programa de conscientização dos funcionários envolvidos na assistência para essa identificação rápida. Também criamos um curso no modelo de ensino à distância voltado para médicos, enfermeiros e técnicos de Enfermagem sobre o assunto”, explica o médico intensivista e executivo do PICS do HCPA, Rafael Barberena Moraes. De acordo com ele, a abordagem é totalmente voltada para a realidade da instituição, citando dados e processos da unidade e casos que aconteceram no hospital. O curso é obrigatório para os médicos residentes e conta pontos para o plano de cargos e salários dos funcionários.
Durante o curso, os profissionais são orientados a seguir um padrão de atendimento que envolve a solicitação e o encaminhamento de pedidos de exames, a notificação dos casos junto ao sistema da unidade, a aplicação mais rápida da medicação, entre outras determinações. Além da diminuição significativa das taxas de mortalidade, o projeto gerou uma queda significativa no tempo médio de reconhecimento desses casos. “Em 2014, levava-se, em média, seis horas; em 2017 passou para uma hora. Essa redução tem sido fundamental, já que quanto mais tempo se leva para detectar o problema, maior se tornam as chances de mortalidade”, assegura o médico.
Para Rafael Moraes é preciso dar notoriedade a esse tema, que é bastante prevalente. “Muitos hospitais e profissionais ainda não têm a cultura de que pacientes sépticos precisam ser atendidos com rapidez e que se trata de um processo que exige multidisciplinaridade. Se a unidade não está integrada e não se comunica bem, se torna impossível oferecer o tratamento correto, que é simples desde que se tenha toda a cadeia funcionando de forma conjunta. Desenvolvemos um protocolo que fica acessível a todos na intranet e sempre que acontece um caso de sepse o funcionário que eventualmente tiver alguma dúvida sobre como proceder pode acessá-lo”, ressalta.
Mais agilidade na administração de medicamento
Outro ganho advindo da criação do projeto foi a redução do tempo de início da administração do antibiótico para esses pacientes. Antes, as equipes levavam cerca de seis horas para começar a medicação. Atualmente, são duas horas, com o objetivo de reduzir para uma hora. “Esse é um resultado muito importante para nós. Em um sistema complexo como é o HCPA, uma unidade com 13 andares e mais de 600 leitos, 50 somente de UTI, o caminho da medicação até o paciente é longo. O médico prescreve, essa prescrição tem que chegar ao técnico de Enfermagem, que vai até a Farmácia. Daí o farmacêutico dispensa a medicação que está no estoque, que finalmente é levada para o enfermeiro aplicá-la. É uma cadeia que envolve diversos elos que, muitas vezes, podem ser frágeis. Agora, conseguimos trabalhar de forma multidisciplinar para que esses elos estejam todos ligados, reduzindo bastante o tempo do processo”, analisa o intensivista.
O reforço na comunicação entre os profissionais envolvidos no atendimento também pode ser visto no time de resposta rápida. A equipe, composta por um médico residente e um intensivista, fica à disposição para atender pacientes graves que estão fora da UTI e é uma novidade implementada pelo protocolo. Sempre que acontece uma intercorrência deste tipo, a Enfermagem aciona esse time, que consegue com mais rapidez e autonomia acessar o paciente com suspeita de sepse.
“Esse atendimento é feito em caráter de urgência e em menos de cinco minutos a equipe está junto ao paciente. Determinamos algumas condições clínicas que precisam ser verificadas para esse atendimento e, com isso, observamos a queda na morbidade e na mortalidade dos pacientes”, afirma Rafael Moraes.
Investimento em novas estruturas.
O novo programa colaborou para a implementação de mudanças estruturais importantes. Foram instaladas duas farmácias satélites ao lado da Emergência e da UTI, setores que mais dispensam antibióticos, e o hospital adquiriu um dispensatório eletrônico de medicamentos. Segundo o médico, as iniciativas vêm ajudando a agilizar o processo. “Hoje, se prescrevo uma medicação no quarto andar, a Farmácia visualiza esse pedido no sistema e o farmacêutico dispensa o medicamento, que vai automaticamente para o andar onde foi solicitado. Com isso, conseguimos eliminar o deslocamento do técnico de Enfermagem até a Farmácia central e em cerca de 15 minutos após a prescrição o remédio está no local onde foi requisitado”.
Para Rafael Moraes, o processo de acreditação pelo qual o HCPA passou, conquistando o selo da Joint Commission International em 2013, foi um estímulo importante para o desenvolvimento do programa.
“A acreditação trouxe uma cultura de busca pela qualidade e de responsabilidade pelos atos para a instituição. A partir do momento em que se estruturam protocolos, criamos formas de avaliar dados e procurar resultados a partir disso. A acreditação vem nos proporcionando isso; temos metas a cumprir. Nesse caso, as metas são ainda mais importantes, pois ajudam a diminuir a mortalidade, acrescentam segurança e nos mostram onde estão nossos problemas e onde podemos melhorar no atendimento para fazê-lo da forma correta, reduzindo os riscos para o paciente”, finaliza.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Pesquisa aponta que UTIs com acreditação têm melhor desempenho



Pesquisa aponta que UTIs com acreditação têm melhor desempenho

Hospitais que seguem os padrões internacionais de qualidade e segurança, e que são detentores de acreditação – espécie de selo que atesta esses quesitos -, têm performance 25% superior à alcançada por hospitais não acreditados. Essa é uma das estatísticas fornecidas pelo Epimed Monitor, software empregado no projeto UTIs Brasileiras, desenvolvido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) em parceria com Epimed Solutions, empresa do ramo de gestão de informações clínicas. O programa avalia continuamente cerca de 800 unidades de terapia intensiva de 450 hospitais do país, o que significa que 11 mil leitos são monitorados, num total de mais de um milhão e meio de pacientes em sua base.

Dessa amostragem, cerca de 90 apresentam a mais alta performance de acordo com a Matriz de Eficiência gerada pelo sistema. “É importante dizer que dessas 90 unidades, a maior parte é de hospitais acreditados pela Joint Commission International (JCI)”, revela o diretor de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da Epimed Solutions, Jorge Salluh. Outro fator que chama atenção é que as UTIs de instituições com acreditação JCI – maior e mais antiga agência verificadora da qualidade e segurança em saúde do mundo – apresentam rendimento superior do que unidades acreditadas por outras instituições.

O médico José de Lima Valverde Filho, coordenador de acreditação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), parceiro associado no Brasil da JCI, entende que esse resultado é reflexo de uma cultura de segurança que se dá por uma série de atitudes e comportamentos individuais e coletivos que têm por objetivo cumprir tarefas da maneira mais correta e mais segura possível. “Os padrões da JCI obrigam os hospitais a terem diretrizes e protocolos baseados em evidências para tratar os pacientes. Tenho convicção de que esse reflexo da acreditação na UTI ocorre em todos os locais do hospital: no centro cirúrgico, nas enfermarias, nos quartos etc. Talvez isso apenas não esteja sendo medido de maneira tão clara como está sendo feito com as UTIs”, afirma.

Qualidade em saúde

Diretor médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP), Fernando Colombari afirma que com o software foi possível avaliar o andamento do trabalho, fazendo um acompanhamento dos relatórios gerados pelo sistema. Entre os resultados alcançados, ele destaca a redução de infecção relacionada à assistência à saúde. “O tempo de permanência também melhorou muito quando conseguimos estudar, através dos dados do sistema, quais eram os pacientes de longa permanência: suas características, procedência, tempo de permanência na UTI”, garante. De acordo com o diretor médico, o programa vai ao encontro do que a acreditação promove: a reavaliação constante de processos para a melhoria da qualidade e segurança.

Também acreditado pela JCI, o Real Hospital Português de Beneficência (PE) já apresenta resultados que refletem no atendimento ao paciente. “Registramos uma queda de mais de 10% no tempo de permanência do paciente na UTI e também nos índices de mortalidade no setor. O software tem sido um ótimo instrumento para monitorar e mensurar resultados e, com isso, melhorar a qualidade da assistência”, pondera o chefe da Terapia Intensiva da unidade, Noel Loureiro.

Para a coordenadora da UTI do Hospital Rios D’Or (RJ), a intensivista Alessandra Alves, o sistema Epimed auxilia na prestação do cuidado seguro, uma vez que os dados são avaliados diariamente, o que permite a checagem de todo o processo. “E o que a JCI nos cobra é exatamente resultado”, enfatiza. Entre os indicadores que o utilitário ajudou a alavancar no Rios D’Or, a médica destaca o acompanhamento de infecções associadas à internação e de notificação de eventos relacionados à segurança do paciente. “O sistema contém um checklist de avaliação diária do paciente da UTI e, seguindo esse protocolo, podemos garantir maior segurança aplicada”, afirma.
O diretor de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da Epimed Solutions, Jorge Salluh, ressalta que os tempos de internação na UTI e taxas de mortalidade são cerca de 20% mais baixos, nos hospitais acreditados.

Monitorando a qualidade

Salluh explica que os dados são coletados diariamente e continuamente atualizados. “Temos algoritmos de checagem e de qualidade e consistência de dados e as informações são importadas diretamente do prontuário eletrônico”, explica. Ele adianta que o sistema revela algumas características dos hospitais e das unidades de terapia intensiva, dos perfis das instituições e indicadores de produção das UTIs. É possível saber, por exemplo, o volume de pacientes, o perfil epidemiológico deles, a utilização de recursos dentro da unidade e os desfechos de cada caso, que são os mais utilizados para medir o resultado e a eficiência das unidades de terapia intensiva e que não estão apenas relacionados à duração da internação. “É importante avaliar o que chamamos de mortalidade ajustada por risco, ou seja, uma taxa de mortalidade padronizada. Utilizamos algoritmos e escores que calculam o risco médio das unidades e a probabilidade de mortalidade média para cada uma. Essa é uma das métricas que trabalhamos”, destaca o gestor.

De acordo com Salluh o projeto da Epimed comprovou que, ao longo de quatro anos, os resultados das UTIs no Brasil melhoraram: “Existe uma redução de 17% na taxa de mortalidade padronizada e 26% da taxa de utilização de recurso padronizado”.

JCI no Brasil

Líder mundial em certificações da qualidade em organizações de saúde, a JCI é representada no Brasil por seu parceiro associado, o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), que oferece serviços de educação para a melhoria da qualidade e segurança assistencial nas instituições de saúde.

O CBA/JCI disponibiliza acreditação para Hospitais, Centros de Cuidados de Atenção Primária, Cuidados Ambulatoriais, Cuidados Continuados, certificação internacional de Programas de Cuidados Clínicos. O CBA conta ainda com acreditações e certificações nacionais para: Operadoras de Planos de Saúde, Organizações Sociais da Saúde (em parceria com IBROSS) e Cirurgia Segura e Procedimentos Invasivos (em parceria com o Colégio Brasileiro de Cirurgiões).

Atualmente, a JCI tem 1.022 acreditadas no mundo. No Brasil, há 78 instituições de saúde acreditadas/certificadas pela metodologia JCI.

www.cbacred.org.br 
21 32998200