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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Hospital de Clínicas de Porto Alegre cria programa de combate à sepse e reduz taxa de mortalidade na unidade



Hospital de Clínicas de Porto Alegre 
cria programa de combate à sepse e reduz taxa de mortalidade na unidade
Maior causa de morte entre pacientes internados em UTIs brasileiras - cerca de 55,7% dos casos da complicação registrados em unidades hospitalares no país em 2017 resultaram em óbito, segundo levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pelo Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas) -, a sepse é uma das maiores preocupações nas unidades de saúde. O cenário alarmante fez com que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) acendesse o alerta para a adoção de medidas visando reduzir o número de ocorrências da doença, criando um programa especial para este fim. Em quatro anos de implantação do projeto, a taxa de mortalidade por sepse na unidade caiu de 55% para 40%.
O Programa Intrahospitalar de Combate à Sepse (PICS) começou na unidade em 2013 através de um levantamento cujo objetivo era identificar quais áreas apresentavam possíveis déficits que causavam lentidão no processo do tratamento do paciente com sepse.
“O atendimento deve começar com o reconhecimento precoce do problema. Para isso, montamos um programa de conscientização dos funcionários envolvidos na assistência para essa identificação rápida. Também criamos um curso no modelo de ensino à distância voltado para médicos, enfermeiros e técnicos de Enfermagem sobre o assunto”, explica o médico intensivista e executivo do PICS do HCPA, Rafael Barberena Moraes. De acordo com ele, a abordagem é totalmente voltada para a realidade da instituição, citando dados e processos da unidade e casos que aconteceram no hospital. O curso é obrigatório para os médicos residentes e conta pontos para o plano de cargos e salários dos funcionários.
Durante o curso, os profissionais são orientados a seguir um padrão de atendimento que envolve a solicitação e o encaminhamento de pedidos de exames, a notificação dos casos junto ao sistema da unidade, a aplicação mais rápida da medicação, entre outras determinações. Além da diminuição significativa das taxas de mortalidade, o projeto gerou uma queda significativa no tempo médio de reconhecimento desses casos. “Em 2014, levava-se, em média, seis horas; em 2017 passou para uma hora. Essa redução tem sido fundamental, já que quanto mais tempo se leva para detectar o problema, maior se tornam as chances de mortalidade”, assegura o médico.
Para Rafael Moraes é preciso dar notoriedade a esse tema, que é bastante prevalente. “Muitos hospitais e profissionais ainda não têm a cultura de que pacientes sépticos precisam ser atendidos com rapidez e que se trata de um processo que exige multidisciplinaridade. Se a unidade não está integrada e não se comunica bem, se torna impossível oferecer o tratamento correto, que é simples desde que se tenha toda a cadeia funcionando de forma conjunta. Desenvolvemos um protocolo que fica acessível a todos na intranet e sempre que acontece um caso de sepse o funcionário que eventualmente tiver alguma dúvida sobre como proceder pode acessá-lo”, ressalta.
Mais agilidade na administração de medicamento
Outro ganho advindo da criação do projeto foi a redução do tempo de início da administração do antibiótico para esses pacientes. Antes, as equipes levavam cerca de seis horas para começar a medicação. Atualmente, são duas horas, com o objetivo de reduzir para uma hora. “Esse é um resultado muito importante para nós. Em um sistema complexo como é o HCPA, uma unidade com 13 andares e mais de 600 leitos, 50 somente de UTI, o caminho da medicação até o paciente é longo. O médico prescreve, essa prescrição tem que chegar ao técnico de Enfermagem, que vai até a Farmácia. Daí o farmacêutico dispensa a medicação que está no estoque, que finalmente é levada para o enfermeiro aplicá-la. É uma cadeia que envolve diversos elos que, muitas vezes, podem ser frágeis. Agora, conseguimos trabalhar de forma multidisciplinar para que esses elos estejam todos ligados, reduzindo bastante o tempo do processo”, analisa o intensivista.
O reforço na comunicação entre os profissionais envolvidos no atendimento também pode ser visto no time de resposta rápida. A equipe, composta por um médico residente e um intensivista, fica à disposição para atender pacientes graves que estão fora da UTI e é uma novidade implementada pelo protocolo. Sempre que acontece uma intercorrência deste tipo, a Enfermagem aciona esse time, que consegue com mais rapidez e autonomia acessar o paciente com suspeita de sepse.
“Esse atendimento é feito em caráter de urgência e em menos de cinco minutos a equipe está junto ao paciente. Determinamos algumas condições clínicas que precisam ser verificadas para esse atendimento e, com isso, observamos a queda na morbidade e na mortalidade dos pacientes”, afirma Rafael Moraes.
Investimento em novas estruturas.
O novo programa colaborou para a implementação de mudanças estruturais importantes. Foram instaladas duas farmácias satélites ao lado da Emergência e da UTI, setores que mais dispensam antibióticos, e o hospital adquiriu um dispensatório eletrônico de medicamentos. Segundo o médico, as iniciativas vêm ajudando a agilizar o processo. “Hoje, se prescrevo uma medicação no quarto andar, a Farmácia visualiza esse pedido no sistema e o farmacêutico dispensa o medicamento, que vai automaticamente para o andar onde foi solicitado. Com isso, conseguimos eliminar o deslocamento do técnico de Enfermagem até a Farmácia central e em cerca de 15 minutos após a prescrição o remédio está no local onde foi requisitado”.
Para Rafael Moraes, o processo de acreditação pelo qual o HCPA passou, conquistando o selo da Joint Commission International em 2013, foi um estímulo importante para o desenvolvimento do programa.
“A acreditação trouxe uma cultura de busca pela qualidade e de responsabilidade pelos atos para a instituição. A partir do momento em que se estruturam protocolos, criamos formas de avaliar dados e procurar resultados a partir disso. A acreditação vem nos proporcionando isso; temos metas a cumprir. Nesse caso, as metas são ainda mais importantes, pois ajudam a diminuir a mortalidade, acrescentam segurança e nos mostram onde estão nossos problemas e onde podemos melhorar no atendimento para fazê-lo da forma correta, reduzindo os riscos para o paciente”, finaliza.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Hospital Moinhos de Vento aposta em projeto para garantir o bom andamento da desospitalização

Time de planejamento de Alta 
Hospital Moinhos de Vento aposta em projeto para garantir o bom andamento da desospitalização
Nem sempre o melhor lugar para o paciente estar é dentro de um hospital. A cultura, muito prevalente no Brasil, de que a internação hospitalar é a solução ideal para um tratamento médico completo vem sendo amplamente questionada, já que, dependendo do caso, pode não ser a opção mais indicada para a recuperação do paciente. É aí que entra a chamada desospitalização, a continuidade do cuidado em domicílio. Atento às necessidades do paciente, o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, criou o Time de Planejamento de Alta a fim de garantir o bom andamento dessa transição. A instituição também desenvolveu uma ferramenta em seu sistema de informação que permite que o médico acione essa equipe no momento em que achar necessário, solicitando ajuda em processos que possam proporcionar a alta hospitalar mais segura ou até mesmo antecipá-la.
O Time é formado por uma assistente social e duas médicas e conta com suporte da Gerência de Enfermagem e Gerencia de Operações. O grupo ajuda a identificar pacientes com risco de longa permanência na unidade e trabalha a situação com as equipes médicas, pacientes e suas famílias. A ferramenta online foi incorporada ao projeto há cerca de um ano e vem auxiliando na comunicação entre os setores envolvidos.
“Esse sistema permite ao médico solicitar uma avaliação nossa do paciente a qualquer momento que ele julgar necessário ao longo da internação. Se ele, por exemplo, identifica pacientes em risco social, com alguma dificuldade familiar ou necessidade de suporte domiciliar maior do que a prevista pela família após a alta, é possível acionar o sistema para pedir o auxílio do nosso grupo”, explica a médica do hospital, Lisangela Conte Preissler. Segundo ela, outro trabalho preventivo que envolve visita a setores do hospital e seus pacientes, os rounds multidisciplinares, também tem ajudado a identificar situações que, por vezes, as equipes e as próprias famílias ainda não perceberam.
Rotineiramente o Time de Planejamento de Alta recebe uma planilha com as solicitações de pacientes a serem avaliados, que então recebem a visita da assistente social do projeto a fim de entender as questões e tomar as decisões pertinentes com a equipe médica e de enfermagem.
“Nessa visita, conseguimos ter um panorama do que o paciente e sua família vão precisar para ter uma alta segura. Percebemos que as famílias carecem de alguém que lhes dê um norte sobre como se organizar para receber o paciente de volta em casa, desde a necessidade de aluguel de uma cama hospitalar, de uma dieta específica, encaminhamento de documentos para a solicitação de benefícios sociais, entre outras coisas. O paciente interna e, quando sai, não sabe que terá demandas diferentes das que tinha antes de entrar no hospital. E é aí que entra nossa ajuda”, ressalta a assistente social do Moinhos de Vento, Juliana Oss.
Taxas de sucesso
Desde abril de 2017, quando o projeto foi implementado, o hospital viu as taxas de tempo médio de permanência dos pacientes nas unidades de internação caírem. No ano passado, a média era de 10 dias; de janeiro a março deste ano este tempo foi reduzido para 8,5 dias.
“Com a implantação do projeto, temos evoluído muito, com melhora dos desfechos relacionados a tempo de permanência e giro do leito. Muitas vezes as intervenções necessárias são simples, como ajudar a localizar familiares que não estão presentes, providenciar questões de suporte como nutrição parenteral, uso da sonda, orientar a família sobre os caminhos para encontrar aportes como cama hospitalar, andador e fisioterapia. Temos uma interface grande com empresas de home care, por exemplo, que nos ajudam nessa questão de suporte”, esclarece Lisangela.
Para a gerente de Enfermagem do hospital, Rubia Maestri, a alta precoce é possível a partir de uma organização da equipe multidisciplinar, que busca alinhar todas as necessidades do paciente e da família na transição para o domicílio. “Orientá-los durante a internação a respeito de todos os cuidados que serão necessários em casa evita que no dia da alta ainda existam dúvidas e, por conta disso, a saída tenha que ser postergada”.
Grupos de apoio a familiares e cuidadores
Ainda visando a melhoria das atividades envolvidas no processo de desospitalização, o Moinhos de Vento criou grupos que reúnem as famílias e os cuidadores dos pacientes para abordar temas específicos a fim de prepará-los para o pós-alta.
“O hospital desenvolveu essa rede para orientar e tranquilizar pacientes e suas famílias e mostrar que eles não estão sozinhos, que podem contar com o suporte da equipe neste momento de alta. Existem grupos multidisciplinares que apoiam em temas específicos como grupos de orientações de dieta enteral com atividades práticas e grupo de orientação para ostomizados, ensinando a forma correta de manuseio da bolsa coletora”, conta Juliana Oss.
De acordo com Rubia Maestri, a iniciativa está totalmente conectada aos padrões de acreditação que a unidade vem cumprindo desde 2002. O Padrão ACC.4 do último manual para hospitais da Joint Commission International, instituição responsável pela acreditação da unidade, cita a necessidade de o hospital começar a planejar as necessidades continuadas dos pacientes após a alta, quando necessárias, o mais cedo possível, incluindo seus familiares no processo.
“A acreditação nos mostra a necessidade de o paciente ter um plano de cuidado individualizado desde o início e nos dá ferramentas de educação robustas onde cada profissional vai registrando informações sobre o paciente durante toda a internação. Estarmos nessa jornada de acreditação há tanto tempo facilitou termos todas essas ferramentas e estrutura assistencial organizadas para implementar esse outro passo que foi a ferramenta para o controle do tempo de permanência”, explica a gerente de Enfermagem, que também faz parte do comitê de acreditação da instituição.
www.cbacred.org.br 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Artigo: Erro no cuidado de saúde



Erro no cuidado de saúde 
Por Adelia Quadros Farias Gomes*

Quando o paciente procura um médico ou um serviço de saúde espera que a assistência seja prestada com qualidade técnica e segurança. Nem sempre o desfecho é o desejado, mas deve ser sempre o resultado da própria condição de saúde do paciente, jamais decorrente de erro.
Infelizmente, nem sempre é assim. A mídia tem noticiado inúmeros casos de danos causados não pela doença, mas pelo processo de cuidado de saúde, sendo muitos desses, decorrentes de erros cometidos pelos profissionais de saúde (sejam eles médicos, enfermeiros, farmacêuticos ou outros). São chamados deerros médicos”, termo inadequadamente utilizado.
É importante reconhecer que o problema da falta de segurança e os erros estão relacionados à organização de saúde, ao ambiente, aos produtos e à complexidade da assistência, com a realização de inúmeros procedimentos e processos interdependentes. Erro não é sinônimo de incompetência profissional. Muitos erros acontecem com profissionais bem qualificados. Sendo assim, a expressão “errors in health care – erros no cuidado de saúde” é mais adequada, uma vez que esses erros são um problema sistêmico e não apenas individual.
Chama a atenção a reflexão do médico Dario Ferreira: “Os médicos e profissionais de saúde ainda não perceberam a gravidade, o tamanho, a importância epidemiológica e a catástrofe que são os danos que a gente causa aos pacientes”.
Uma questão relevante é que os erros no cuidado de saúde representam um grande desperdício de recursos, cada vez mais escassos. Estima-se que custem entre US$ 17 e 29 bilhões por ano. No entanto, o impacto dos erros vai além do custo financeiro. Pacientes internados, em especial os que estão em terapia intensiva, recebem dezenas de ações e procedimentos corretos e adequados para o seu cuidado. A taxa de assertividade no cuidado é de cerca de 99%. A questão para refletirmos é: será que uma taxa de 99,9% de acertos no processo de cuidado seria adequada?
Para termos ideia do impacto desse percentual, se pode ser ou não suficientemente adequado, consideremos que em outras situações 0,1% de erros significariam cerca de 25 mil objetos distribuídos errados pelos Correios (Brasil) por dia, 200 quedas acidentais de recém-nascido por dia no mundo, e significaria 32 mil cheques bancários compensados na conta errada a cada hora, de acordo com o um estudo feito por William Edwards Deming, um dos pioneiros na aplicação de melhorias no âmbito da qualidade. Outro estudo, de Rosenthal e Sutcliffe, aponta que 0,1% de erros significaria 20 mil prescrições erradas por ano, 500 cirurgias incorretas por semana e 2 mil documentos perdidos por hora. Todavia, para cada paciente, um erro significa 100% de risco ou de dano.
Os erros associados ao cuidado de saúde provocam incidentes que causam danos ao paciente, chamados de eventos adversos. A consequência muitas vezes são as sequelas ou a morte. No entanto, há estudos que comprovam que muitos eventos adversos, principalmente durante a hospitalização, são potencialmente evitáveis. 
Eventos graves e inaceitáveis são denominados never events, pois nunca deveriam ocorrer em serviços de saúde, como por exemplo, choque elétrico durante a assistência; procedimento cirúrgico realizado no lado errado do corpo, no paciente errado; contaminação na administração de O2 ou gases medicinais; suicídio de paciente; óbito ou lesão grave de paciente associados ao uso de contenção física ou grades da cama durante a assistência dentro do serviço de saúde; úlcera por pressão - estágio III ou IV; administração de medicação pela via errada; overdose de insulina devido a abreviaturas ou dispositivo incorreto; transfusão ou transplante de componentes sanguíneos ou órgãos com sistema ABO incompatíveis; entre outros.
As mortes provocadas por erros no cuidado de saúde estão entre as três primeiras causas de óbito nos Estados Unidos. No Brasil, os erros podem estar entre a segunda e a quinta causa de óbitos. Estudo realizado em 133 hospitais no Brasil estimou que, em 2015, mais de 300 mil pacientes morreram em decorrência de erros associados à assistência hospitalar, sendo a segunda causa de morte, ultrapassando os óbitos por câncer e por doenças respiratórias.
É certo que alguns eventos adversos são apenas uma parte do problema dos erros, pois nem todos os erros causam danos ao paciente, como os relacionados ao uso inadequado de medicação. Mas, ainda que a maioria desses erros não resulte em dano ao paciente, é necessário o esforço conjunto para rever os processos e as práticas de segurança. A gestão dos riscos é fundamental para isso e contempla as etapas de identificação, notificação, análise, avaliação, monitoramento, tratamento e comunicação de riscos, além da identificação dos fatores de mitigação, planejamento e implementação das ações de melhoria. Também é de suma importância identificar os fatores contribuintes e suas principais causas. Com a elaboração de um plano de ação, as medidas preventivas e corretivas são adotadas e estratégias implementadas tanto para prevenir quanto para mitigar as consequências dos erros e incidentes.
Tendo em mente que Errar é Humano, e que erros, inexoravelmente, podem acontecer, precisamos torná-los visíveis e atenuar seus efeitos. Os erros devem ser encarados como uma oportunidade para a revisão de processos e aprimoramento da assistência prestada ao paciente.
* Médica, Mestre em Ciências da Saúde Pública, educadora do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e membro da Sociedade Brasileira de Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP)


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

SAMU – DF aposta na segurança e é primeiro serviço público de remoção do país a buscar acreditação JCI


SAMU – DF aposta na segurança e é primeiro serviço público de remoção do país a buscar acreditação JCI
Transparência para os usuários, maior controle sobre riscos de infecção e monitoramento dos indicadores de saúde. Estes são apenas alguns dos principais objetivos a serem alcançados por meio do trabalho de melhoria contínua do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Distrito Federal (SAMU – DF). Visando conquistar a acreditação da Joint Commission International (JCI), em 2015, buscou a expertise do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), e implantou na unidade o Programa de Educação para Melhoria da Qualidade e da Segurança do paciente. De acordo com o diretor do SAMU – DF, Rafael Vinhal, os padrões JCI estão sendo implementados de forma gradual. “Foram criados diversos grupos de trabalho setoriais para executarem o programa de segurança e qualidade. Os protocolos operacionais e protocolos clínicos e assistenciais do serviço estão sendo revisados. Posteriormente, será preciso capacitar as equipes de atendimento. A implantação dos padrões envolve toda uma mudança de cultura organizacional, bem como dos processos de trabalho”, esclarece.
É fundamental que todos os atores envolvidos no cenário de atendimento pré-hospitalar estejam familiarizados com os padrões. “Cada um dos servidores da instituição deve estar aberto a aprimorar o seu processo de trabalho de forma a abandonar a cultura do ‘fazer à sua própria maneira’ e adotar rotinas de excelência baseadas em evidências”, frisa Vinhal. “Embora os padrões sejam claros, coerentes e pareçam óbvios de serem seguidos, adotá-los é um desafio. Devemos ter uma gestão de processos e de resultados bem orientada, visando o alcance das metas internacionais traçadas”, completa.
Vinhal conta que desde o início do processo muita coisa mudou. “O serviço passou por uma reorganização administrativa em seu organograma. Foi criada uma farmácia central, com farmácias setoriais, com um farmacêutico responsável. A assistência e logística farmacêuticas eram deficiências no serviço, incluindo o armazenamento e a dispensação das medicações, materiais e insumos”, informa. Ele acrescenta que foram criados núcleos de controle de infecção e de qualidade e segurança do paciente e que o SAMU – DF passou a trabalhar com um maior monitoramento de indicadores e de resultados. Alguns indicadores de serviço, inclusive, tiveram que ser revisados. “Revimos a missão, a visão e os valores da instituição, repensamos os indicadores de saúde, de qualidade e de resultados, refletimos sobre os direitos e os deveres de nossos usuários e criamos comissões de avaliação de prontuários e eventos sentinela”, conta ele.
De acordo com Vinhal, a mudança organizacional provocada pelo Programa de Educação para Melhoria da Qualidade e da Segurança do Paciente foi capaz de dar eficiência aos processos de trabalho. “O Programa nos traz a certeza de que a população está sendo bem atendida e de que estamos prestando um serviço de excelência. Por meio dele, é possível controlar os riscos de infecção, monitorar melhor nossos indicadores de saúde e saber se estamos evoluindo nos processos de trabalho”, garante, destacando ainda que o programa assegura maior transparência para o usuário do sistema, que tem direitos e deveres bem estabelecidos.
Segurança acima de tudo
No SAMU – DF, a questão da segurança é um princípio que vem sendo continuamente reforçado em cursos de educação permanente. Para engajar as equipes nas questões relacionadas à qualidade e segurança, uma comissão executora do Programa de Educação para Melhoria da Qualidade e Segurança do Paciente realiza reuniões periódicas semanais com os gestores do serviço e monitora os grupos de trabalho criados para a execução do programa. Nestes encontros, são reforçadas informações pertinentes ao correto preenchimento dos prontuários, uma questão fundamental no atendimento pré-hospitalar.
Vinhal chama a atenção para o fato de que uma das maiores deficiências no atendimento pré-hospitalar é o controle de infecções. “Embora haja regras claras para o ambiente hospitalar, não há normas específicas de controle de infecções em ambiente pré-hospitalar. Nesse sentido, é necessária a implementação de um programa de controle de infecções, mediante construção de protocolos e de cursos de educação permanente”, diz. O trabalho da comissão, nascida a partir do desenvolvimento do Programa de Educação para Melhoria da Qualidade e da Segurança do Paciente, se dá através da confecção de protocolos, monitoramento de indicadores, vistoria de ambientes de atendimento e ações de educação continuada.
http://www.cbacred.org.br/noticias/2018/08/05.asp

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Consórcio Brasileiro de Acreditação e Joint Commission International: 20 anos de parceria

Consórcio Brasileiro de Acreditação e Joint Commission International: 20 anos de parceria

Nos dias 29 e 30 de maio, o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e a Joint Commission International (JCI) celebraram 20 anos de atuação no Brasil, com uma reunião interna de planejamento e com uma cerimônia no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), o primeiro no mundo a ser acreditado com a metodologia JCI.
“Só temos que nos orgulhar por ter contribuído para a construção da cultura da qualidade na Saúde, em todo o mundo, ser exemplo de coragem e determinação na busca pela qualidade e segurança em Saúde”, disse a Diretora Executiva de Prática Assistencial, Qualidade, Segurança e Meio Ambiente do Albert Einstein, Cláudia Garcia, durante a cerimônia de entrega da sexta reacreditação do HIAE, ocorrida no dia 30, em São Paulo.
A entrega do certificado foi feita pelo vice-presidente de Acreditação, Padrões e Medidas da JCI, Paul Chang, diretamente ao presidente da Sociedade Beneficente Brasileira Israelita Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner. A cerimônia contou ainda com a presença do diretor geral e do presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Israelita, respectivamente, Henrique Sutton de Souza Neves e Cláudio Lottenberg, de representantes do CBA – José de Lima Valverde Filho, coordenador de Acreditação, José Carvalho de Noronha, diretor de Relações Internacionais, e Maria Manuela Alves dos Santos, superintendente – e de membros da JCI (Paul Eskew, diretor executivo de consultoria internacional, e Christiane Grannan, executiva de contas internacionais da JCI).
A Diretora Cláudia Garcia resumiu o significado do hospital em ter a acreditação JCI: “É demonstrar credibilidade, transparência e compromisso com a melhoria continua e o trabalho colaborativo, sendo referência em qualidade, verdade e colaboração e inspirar confiança e determinação na busca contínua pela melhoria da assistência e das operações”.

Parceiro associado
Antes de ir a São Paulo, a alta direção da JCI esteve no Rio de Janeiro reunida com as lideranças do CBA, reafirmando a parceria entre as duas instituições e traçando os planos de atuação para os próximos anos. “A última vez que estive no Brasil foi há 3 anos. Promovemos esse encontro entre meus colegas da JCI e a equipe do CBA para nos familiarizar com a atual situação da saúde no Brasil”, diz Paul Chang. Segundo ele, o Brasil tem a maior população da América do Sul e é visto como um mercado importante para a JCI. “Atualmente, a JCI conta com 5 avaliadores brasileiros, oriundos do CBA, e vê com bons olhos a oportunidade de ter um relacionamento mais próximo com profissionais e organização de cuidado em saúde”, comenta.
Para Maria Manuela, superintendente do CBA, a acreditação e a melhoria da performance são processos contínuos e não acontecem apenas quando os avaliadores estão atuando na instituição que busca a acreditação. “Essa atuação é constante e o que estamos fazendo durante esses 20 anos de parceria com a JCI, que vê esse relacionamento com as organizações de saúde como de suma importância para o desenvolvimento da qualidade e segurança da Saúde no Brasil, tanto no setor privado quanto público”.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Auditoria interna da Qualidade cresce em unidades de saúde do país



Auditoria interna da Qualidade cresce em unidades de saúde do país
CBA oferece curso para quem quer atuar na atividade
Responsável por verificar a conformidade, ou não, dos processos e detectar possíveis problemas, recomendando providências corretivas, o auditor interno da Qualidade é uma função cada vez mais presente em unidades de saúde, especialmente naquelas que estão buscando a acreditação ou que já são acreditadas e se empenham para manter a chancela. A auditoria interna hospitalar contribui para a melhoria da cultura organizacional e o resultado operacional, através da mensuração e aperfeiçoamento da qualidade, com gerenciamento de processos e informações administrativas, clínicas e financeiras, auxiliando diretamente no planejamento estratégico institucional. Cabe ao auditor fazer cumprir uma política de autoavaliação que garanta o êxito e a continuidade dos métodos implementados.
Com o crescente interesse das instituições de saúde por aperfeiçoar seus processos, a busca por essa especialização também aumentou. Para atender a esse público, o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) desenvolveu o curso Auditores Internos da Qualidade. A próxima edição acontece em São Paulo, nos próximos dias 21 e 22 de maio. O engenheiro mecânico pós-graduado em Análise de Sistemas, especialista em gestão de processos em unidades de Saúde e educador na Coordenação de Educação do CBA, Antonio Jorge Dias Fernandes dos Santos, será o responsável por ministrar o curso. Nesta entrevista, ele explica a importância da atividade dentro das instituições, ressalta a necessidade de se capacitar e detalha a formação oferecida pelo CBA.
Como a capacitação oferecida pela CBA pode ajudar o profissional que deseja atuar na área de Qualidade dentro das unidades?
O curso é voltado para profissionais que já trabalham na área da Saúde e que buscam se educar nesse olhar, conhecer os processos, se aperfeiçoar nessa experiência. É muito comum que instituições acreditadas ou que procuram pela acreditação atribuam a incumbência de atuar na Qualidade a pessoas que já exercem algum cargo na unidade e que demonstrem interesse pela função. Por isso, é fundamental a qualificação.
Qual é a importância dessa função dentro dos hospitais?
É indispensável que as unidades que buscam a excelência em seus processos tenham mecanismos para se autoavaliarem. Dessa maneira, é possível manter os padrões exigidos e prevenir problemas.
Como serão as aulas?
O conteúdo é dividido em dois dias de curso, com carga horária total de 16 horas. Vamos abordar os processos de Qualidade, com foco na área de Saúde, e promover exercícios em grupo como, por exemplo, a elaboração de check lists de auditoria em setores importantes das unidades. A ideia é que os participantes possam ter uma vivência de como funciona a atividade no dia a dia dos hospitais.
Qual é o público-alvo do curso?
São profissionais com formação de nível superior nas áreas da Saúde ou em Administração e Engenharia. Nesses dois últimos casos, é importante que tenham experiencia em gestão ou prática em serviços de saúde.
Qual o conteúdo programático do curso?
Falaremos sobre a importância e o papel dos auditores internos; estrutura, planejamento e organização do Corpo de Auditores e suas técnicas; gestão e cuidados ao paciente, entre outras abordagens. Os conceitos expostos no curso são baseados nas óticas da ISO 9001-2008 e do processo de Acreditação Internacional – metodologia JCI.
Mais informações e inscrições em http://ead.cbacred.org.br/curso/auditores-internos-da-qualidade-curso-presencial ou pelo telefone (21) 3299-8200.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O que ainda precisamos fazer pela segurança do paciente?



O que ainda precisamos fazer pela segurança do paciente?
Por José de Lima Valverde Filho,
médico e coordenador de acreditação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA)

Mês passado o Brasil celebrou o “Abril pela Segurança do Paciente”, data instituída pelo Ministério da Saúde por ocasião do lançamento do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Passados cinco anos, nem todas as instituições de saúde do país implantaram o Núcleo de Segurança do Paciente, apesar da obrigatoriedade da RDC 36, de julho de 2013.
Apesar da cultura de segurança estar mais disseminada entre os profissionais de saúde brasileiros, ainda ocorrem, em proporções elevadas, eventos adversos evitáveis relacionados a falta de adesão a procedimentos de segurança. Entre esses eventos, estão os associados a administração de medicamentos por profissionais da saúde. São eventos com alta probabilidade de proporcionarem significantes danos aos pacientes, como morte ou lesões permanentes. Embora a OMS assegure que é difícil estimar a prevalência desse tipo de evento – denominado genericamente de erro de medicação –, devido à variação de definições e sistemas de classificação utilizados, as taxas de prevalência de ocorrência são amplamente variáveis em diferentes partes do mundo. Um estudo do Reino Unido identificou que 12% de todos os pacientes de cuidados primários podem ser afetados por um erro de prescrição ou monitoramento ao longo de um ano, aumentando para 38% naqueles acima de 75 anos. Em pacientes que receberam cinco ou mais drogas durante um período de 12 meses, esse risco é de 30%. Outro estudo sueco encontrou uma taxa de erro de medicação de 42%. Já na Arábia Saudita, um levantamento concluiu que pouco menos de 1/5 das prescrições de cuidados primários continha erros, sendo uma minoria, de maior gravidade. No México, um apontamento revelou que 58% das prescrições continham erros, a maioria de dosagem (27,6%).
Embora haja alguns levantamentos pontuais, ainda não se tem um retrato efetivo sobre ‘erros de medicação’ no Brasil. No entanto, esses exemplos demostram que estamos diante de um problema global. Além dos erros de prescrição, quando o profissional se equivoca, de diferentes modos, na prescrição correta do medicamento, as falhas podem ocorrer na  dispensação (quando a farmácia envia o medicamento errado); por omissão (quando um medicamento prescrito não é administrado, sem justificativa técnica); por erro de horário (quando os intervalos de administração são errados ou o medicamento é administrado fora do horário ou do intervalo terapêutico); de administração não autorizada de medicamento (quando sem ordem médica, um medicamento é administrado); de dosagem (quando a dose é inferior ou superior a prescrita);
erro de apresentação (quando o medicamento certo é administrado, mas pela via inadequada ou apropriada); erro de preparo (quando a diluição do medicamento, por exemplo, é feita com diluente inapropriado); erro de administração (quando a via é errada, por exemplo intramuscular ao invés da venosa);
erro com medicamentos já inadequados ao uso (quando medicamentos expirados ou vencidos são administrados); e erro de monitoração (quando são ignoradas as atenções com os possíveis eventos colaterais ou indesejáveis de alguns medicamentos).
Portanto, as oportunidades de erros são grandes e somente a qualificação de todos os envolvidos na cadeia de medicamentos (da aquisição a administração) pode diminuir a incidência desses casos, que são comumente causados por problemas de comunicação ineficiente, ambiguidades em nomes de produtos, instruções de utilização, abreviaturas ou escrita médicas, maus procedimentos ou técnicas, ou uso indevido do paciente por causa da má compreensão das instruções de uso do produto.
Para evitar que as possibilidades de erros aconteçam é preciso estabelecer e rever processos permanentemente. Apontar culpados só permitirá a reincidência. Em caso de incorreções, a transparência é essencial para evitar danos maiores. O NHS, sistema nacional de saúde do Reino Unido, criou o chamado o “Duty of Candour”, que estabelece, entre outros, o dever do profissional e/ou da instituição em comunicar aos pacientes e familiares sobre erros. Estudos demonstram que a transparência reduz o litígio.
Entretanto, nosso maior desafio é lidar com a conscientização do problema. Uma questão significante é a falta de sensibilidade da indústria farmacêutica que continua a produzir fármacos diferentes, em embalagens e apresentações muito semelhantes. É importante também ressaltar que os cuidados com medicamentos devem ser estendidos a outros produtos, como contrastes e alimentação enteral, por exemplo. Por fim, mas de altíssima significância, as estratégias empregadas para a redução de erros de medicação não podem, em absoluto, prescindir do papel de farmacêuticos clínicos. Entre outras atividades de responsabilidade na cadeia de aquisição e uso de medicamentos, são eles que avaliam as prescrições quanto a interações medicamentosas e a adequação as condições dos pacientes. Outros suportes reduzem a probabilidade de erros, como a prescrição eletrônica e programas educacionais, geralmente em intervenções multifacetadas. Há também uma necessidade de intervenções pontuais como a preceptoria de especialistas para o uso apropriado de determinados fármacos como os antibióticos.

A Joint Commission International (JCI) e seu associado brasileiro, o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) tem feito importantes esforços no sentido de disseminar os padrões de Gerenciamento e Uso de Medicamentos, que é bastante amplo e aborda várias questões sobre fármacos. Se, efetivamente, implantados reduzem a incidência de erros de medicação. A Meta Internacional de Segurança do Paciente de número 3 aborda, especificamente, as condições de identificação, segregação e uso de medicamentos de alta vigilância e dos eletrólitos concentrados. O CBA tem ainda abordado o assunto em cursos, palestras, seminários, congressos e nos seus cursos de MBA e de pós-graduação.

Esse é um esforço conjunto. Só se muda um comportamento, com diálogo e enfrentamento do problema. Se queremos um Brasil com mais segurança para o paciente, precisamos estar imbuídos verdadeiramente de esforços e comprometimentos para que desenhemos processos cada vez mais seguros.


  

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Pesquisa aponta que UTIs com acreditação têm melhor desempenho



Pesquisa aponta que UTIs com acreditação têm melhor desempenho

Hospitais que seguem os padrões internacionais de qualidade e segurança, e que são detentores de acreditação – espécie de selo que atesta esses quesitos -, têm performance 25% superior à alcançada por hospitais não acreditados. Essa é uma das estatísticas fornecidas pelo Epimed Monitor, software empregado no projeto UTIs Brasileiras, desenvolvido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) em parceria com Epimed Solutions, empresa do ramo de gestão de informações clínicas. O programa avalia continuamente cerca de 800 unidades de terapia intensiva de 450 hospitais do país, o que significa que 11 mil leitos são monitorados, num total de mais de um milhão e meio de pacientes em sua base.

Dessa amostragem, cerca de 90 apresentam a mais alta performance de acordo com a Matriz de Eficiência gerada pelo sistema. “É importante dizer que dessas 90 unidades, a maior parte é de hospitais acreditados pela Joint Commission International (JCI)”, revela o diretor de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da Epimed Solutions, Jorge Salluh. Outro fator que chama atenção é que as UTIs de instituições com acreditação JCI – maior e mais antiga agência verificadora da qualidade e segurança em saúde do mundo – apresentam rendimento superior do que unidades acreditadas por outras instituições.

O médico José de Lima Valverde Filho, coordenador de acreditação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), parceiro associado no Brasil da JCI, entende que esse resultado é reflexo de uma cultura de segurança que se dá por uma série de atitudes e comportamentos individuais e coletivos que têm por objetivo cumprir tarefas da maneira mais correta e mais segura possível. “Os padrões da JCI obrigam os hospitais a terem diretrizes e protocolos baseados em evidências para tratar os pacientes. Tenho convicção de que esse reflexo da acreditação na UTI ocorre em todos os locais do hospital: no centro cirúrgico, nas enfermarias, nos quartos etc. Talvez isso apenas não esteja sendo medido de maneira tão clara como está sendo feito com as UTIs”, afirma.

Qualidade em saúde

Diretor médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP), Fernando Colombari afirma que com o software foi possível avaliar o andamento do trabalho, fazendo um acompanhamento dos relatórios gerados pelo sistema. Entre os resultados alcançados, ele destaca a redução de infecção relacionada à assistência à saúde. “O tempo de permanência também melhorou muito quando conseguimos estudar, através dos dados do sistema, quais eram os pacientes de longa permanência: suas características, procedência, tempo de permanência na UTI”, garante. De acordo com o diretor médico, o programa vai ao encontro do que a acreditação promove: a reavaliação constante de processos para a melhoria da qualidade e segurança.

Também acreditado pela JCI, o Real Hospital Português de Beneficência (PE) já apresenta resultados que refletem no atendimento ao paciente. “Registramos uma queda de mais de 10% no tempo de permanência do paciente na UTI e também nos índices de mortalidade no setor. O software tem sido um ótimo instrumento para monitorar e mensurar resultados e, com isso, melhorar a qualidade da assistência”, pondera o chefe da Terapia Intensiva da unidade, Noel Loureiro.

Para a coordenadora da UTI do Hospital Rios D’Or (RJ), a intensivista Alessandra Alves, o sistema Epimed auxilia na prestação do cuidado seguro, uma vez que os dados são avaliados diariamente, o que permite a checagem de todo o processo. “E o que a JCI nos cobra é exatamente resultado”, enfatiza. Entre os indicadores que o utilitário ajudou a alavancar no Rios D’Or, a médica destaca o acompanhamento de infecções associadas à internação e de notificação de eventos relacionados à segurança do paciente. “O sistema contém um checklist de avaliação diária do paciente da UTI e, seguindo esse protocolo, podemos garantir maior segurança aplicada”, afirma.
O diretor de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da Epimed Solutions, Jorge Salluh, ressalta que os tempos de internação na UTI e taxas de mortalidade são cerca de 20% mais baixos, nos hospitais acreditados.

Monitorando a qualidade

Salluh explica que os dados são coletados diariamente e continuamente atualizados. “Temos algoritmos de checagem e de qualidade e consistência de dados e as informações são importadas diretamente do prontuário eletrônico”, explica. Ele adianta que o sistema revela algumas características dos hospitais e das unidades de terapia intensiva, dos perfis das instituições e indicadores de produção das UTIs. É possível saber, por exemplo, o volume de pacientes, o perfil epidemiológico deles, a utilização de recursos dentro da unidade e os desfechos de cada caso, que são os mais utilizados para medir o resultado e a eficiência das unidades de terapia intensiva e que não estão apenas relacionados à duração da internação. “É importante avaliar o que chamamos de mortalidade ajustada por risco, ou seja, uma taxa de mortalidade padronizada. Utilizamos algoritmos e escores que calculam o risco médio das unidades e a probabilidade de mortalidade média para cada uma. Essa é uma das métricas que trabalhamos”, destaca o gestor.

De acordo com Salluh o projeto da Epimed comprovou que, ao longo de quatro anos, os resultados das UTIs no Brasil melhoraram: “Existe uma redução de 17% na taxa de mortalidade padronizada e 26% da taxa de utilização de recurso padronizado”.

JCI no Brasil

Líder mundial em certificações da qualidade em organizações de saúde, a JCI é representada no Brasil por seu parceiro associado, o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), que oferece serviços de educação para a melhoria da qualidade e segurança assistencial nas instituições de saúde.

O CBA/JCI disponibiliza acreditação para Hospitais, Centros de Cuidados de Atenção Primária, Cuidados Ambulatoriais, Cuidados Continuados, certificação internacional de Programas de Cuidados Clínicos. O CBA conta ainda com acreditações e certificações nacionais para: Operadoras de Planos de Saúde, Organizações Sociais da Saúde (em parceria com IBROSS) e Cirurgia Segura e Procedimentos Invasivos (em parceria com o Colégio Brasileiro de Cirurgiões).

Atualmente, a JCI tem 1.022 acreditadas no mundo. No Brasil, há 78 instituições de saúde acreditadas/certificadas pela metodologia JCI.

www.cbacred.org.br 
21 32998200 



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

BP adota compliance e melhora a relação entre os públicos interno e externo



BP adota compliance e melhora a relação entre os públicos interno e externo
Compliance em Saúde. Qual o papel do gestor e de cada um dos membros de uma instituição de saúde, para garantir a qualidade no setor? Para falar sobre o tema, convidamos a representante de uma instituição que tem um hospital acreditado pela Joint Commission International desde 2013, o BP Mirante. Com a palavra, Denise Santos, CEO da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
O que é o conceito de compliance para uma instituição como a BP?
Na BP, o conceito de compliance praticado e difundido é o de estar aderente a normas internas, legislação, cultura, valores sociais e estratégia. Esse contexto, evidentemente, contempla a ética, a transparência e a segurança que entendemos ser o pilar fundamental para garantir a assistência livre de danos ao cliente.
Há quanto tempo a BP vem desenvolvendo programas nesse sentido?
Desde 2014 estamos trabalhando forte para implementar os elementos essenciais de compliance: mapeamento de riscos, revisão do Código de Conduta, implementação de Canal Confidencial e condução de trabalhos de monitoramento de processos por meio de auditoria e treinamentos. Vale destacar que a BP possui uma área de Auditoria Interna, Riscos e Compliance dedicada a esses programas.
Quais os principais objetivos da aplicação do conceito de compliance em uma instituição de saúde?
Numa instituição como a BP que possui 7 unidades de negócio, sendo 3 hospitais, cerca de 8 mil colaboradores, atua num mercado altamente competitivo, atende a inúmeras exigências técnicas e administrativas de diversos órgãos reguladores e continua crescendo, sem abrir mão da qualidade do serviço que presta, compliance é vital. É quase impossível imaginar tudo isso funcionando de maneira eficiente e sustentável, sem transparência nas relações, à margem da ética e sem regras de negócio bem alinhadas. E é por meio do compliance que resolvemos essas questões e criamos um ambiente de trabalho saudável e favorável.
De que forma adotar técnicas de compliance pode melhorar o desempenho de uma instituição de saúde?
Quando uma instituição adota o conceito de compliance alinhado à sua estratégia, ela consegue tornar os processos mais fluidos, transparentes e criar condições para que os eventuais desvios sejam detectados com mais agilidade. Isso tudo facilita a aplicação de ações preventivas pontuais, minimizando impactos para clientes, colaboradores, parceiros e fornecedores.
Como esse conceito é trabalhado entre os colaboradores da BP?
Buscamos promover a difusão e fixação de conceitos, aliados à vivência prática. Logo na admissão, os colaboradores tomam ciência do Código de Conduta da BP, um orientador de convívio que também é divulgado para os médicos. Além disso, desde 2016, o conceito é abordado em eventos internos periódicos como a Semana de Ética e Compliance, evento dedicado ao tema com exposições relevantes e com a presença de colaboradores e palestrantes externos.
Desde quando essa questão vem sendo mais trabalhada na BP, é possível detectar melhorias no atendimento?
Sim, e isso tem a ver o ambiente que criamos. Detectamos isso diariamente no ambiente interno e, principalmente, nas relações com médicos e fornecedores.
Há efeitos visíveis na qualidade e segurança do paciente? Como eles chegam aos pacientes?
A adesão às normas internas, inclusive protocolos médicos, legislação, cultura, valores e estratégia, beneficia todos os nossos públicos, principalmente o cliente, que sente que está sendo atendido com segurança, transparência e ética.
Quais os maiores desafios e as principais dificuldades para a implementação de um programa de compliance?
Num ambiente complexo e dinâmico como a BP, é necessário ter consistência no discurso. Assim, o maior desafio é tornar o tema presente e de fácil entendimento para todos os nossos públicos.
De que forma os padrões de acreditação internacional da JCI contribuem para a implantação das medidas de compliance da BP?
Os padrões da Joint Commition International (JCI) norteiam a elaboração das normas e diretrizes internas que estão inseridas nas nossas práticas de compliance. Dessa forma, incorporamos esses padrões de excelência ao nosso dia a dia e eles deixam ser metas a serem atingidas e passam a ser entendidos pelos colaboradores como parte de um processo, uma característica de como determinada rotina de trabalho deve ser executada dentro da BP.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Curso online ensina como garantir qualidade e segurança em cirurgias e procedimentos invasivos



Curso online ensina como garantir qualidade e segurança em cirurgias e procedimentos invasivos

Em todo o mundo, complicações cirúrgicas contribuem para uma grande proporção de lesões e mortes evitáveis. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é alta a taxa de problemas decorrentes de internações cirúrgicas: nos países industrializados, estima-se que ela chegue a 22% — a mortalidade fica entre 0,4% e 0,8% nesses locais, mas gira em torno de 5% a 10% nos países em desenvolvimento. A entidade aponta que quase metade desses eventos adversos é evitável.
Neste cenário, é preciso criar barreiras para evitar possíveis danos. O curso online Introdução aos Padrões do Manual de Cirurgia e Procedimentos Invasivos Seguros apresenta e discute os padrões referentes à estrutura, processos e resultados aplicáveis aos procedimentos cirúrgicos e invasivos que visam à segurança e a qualidade desses cuidados, embasado no modelo de certificação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) que objetiva assegurar a eficiência nos procedimentos cirúrgicos dos hospitais brasileiros e dar mais assertividade ao processo cirúrgico, garantindo o cumprimento de técnicas seguras em todas as etapas que envolvam o escopo de uma cirurgia e melhorar o gerenciamento do risco.
O curso aborda ainda a importância da adesão e conformidade com padrões relacionados nas etapas que ocorrem imediatamente antes, durante e logo após às cirurgias e procedimentos invasivos. Voltado para profissionais com formação de nível superior nas áreas da saúde ou correlatas em administração e engenharia - nesses casos relacionados com gestão ou prática em serviços de saúde -, o curso é ministrado pelo médico José de Lima Valverde Filho, membro do Comitê Internacional de Padrões da Joint Commission International (JCI) e coordenador de Acreditação do CBA, sendo ofertado em formato de vídeo-aulas, para contratação na forma individual ou em grupo. Apesar do modelo de EAS, dúvidas podem ser tiradas na plataforma virtual do CBA e serão respondidas em até 48h. Já quem escolher o modo de contratação em grupo, pode optar pela ‘presença’ de um educador do CBA para acompanhar e tirar dúvidas dos profissionais, em dia e hora marcados.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Manual para notificação de medicamentos


NOTIFICAÇÃO SIMPLIFICADA
Manual para notificação de medicamentos está disponível
Documento orienta empresa que trabalham com medicamentos de baixo risco, dinamizados e fitoterápicos.
Por: Ascom/Anvisa
Já está disponível o manual para notificação de medicamentos. O manual contempla as recentes modificações feitas no sistema Notifarmac, utilizado pelas empresas de medicamentos de notificação simplificada.
O objetivo do documento é eliminar possíveis dúvidas sobre o processo de habilitação de empresas e da notificação de medicamentos. Isso envolve os medicamentos de baixo risco (RDC 199/2006 e 107/2016), dinamizados (RDC 26/2007 e 106/2016) e os fitoterápicos (RDC 26/2014 e 106/2016).
O manual é resultado das recentes alterações feitas na legislação, especialmente no que se refere ao início da cobrança de taxa de fiscalização de vigilância sanitária para a realização da notificação.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Maior centro de transplantes em ortopedia do país trabalha para melhorar a qualidade de vida dos pacientes Banco de Tecidos do Into é referência nacional


Maior centro de transplantes em ortopedia do país trabalha para melhorar a qualidade de vida dos pacientes Banco de Tecidos do Into é referência nacional
O transplante de órgãos é um tema bastante difundido dentro e fora da medicina, mas ainda pouco se fala da importância dos tecidos para transplante. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) possui um banco de tecidos que é referência no Brasil inteiro e tem atuado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O instituto é o segundo maior centro de transplantes em ortopedia do país e seu banco de tecidos dispõe de material músculoesquelético, córneas, escleras e pele. O banco tem uma estrutura de ponta e boa capacidade de armazenamento, contando com dez ultracongeladores que atingem uma temperatura de até -80ºC.
Ao contrário do órgão, que tem que ser captado e transplantado em pouco tempo, todo tecido deve ser preparado para ser transplantado. O banco do Into compreende todo o processo de preparação até o armazenamento e trabalha para garantir a qualidade e a segurança do material a ser utilizado nos transplantes.
O banco coordena a avaliação de potenciais doadores, a captação do tecido, o armazenamento e o processamento. Cada tecido tem uma maneira diferente de ser armazenado. O músculo-esquelético fica em ultracongeladores; já a córnea, a pele e as cartilagens ficam refrigeradas. Cada tecido é processado em uma área específica com controle de temperatura, pressão e número de partículas. Após o processamento, o tecido entra numa quarentena em que rodam todos os exames microbiológicos para avaliar se ele está apto. Depois disso, ele é liberado para o transplante – explica o coordenador do Banco de Tecidos do Into, Rafael Prinz.
O setor do Into é o único totalmente público a trabalhar com tecido músculo-esquelético e atende todo o país, respondendo à Central Nacional de Transplantes. É o principal banco que atende cirurgias ortopédicas. Até novembro desse ano, 726 tecidos músculo-esqueléticos foram captados pela instituição e 500 cirurgias de transplante ósseo foram realizadas com esse material. Desde 2013, o instituto também armazena córneas e ajuda na fila da Central de Transplantes do Estado do Rio de Janeiro. Em 2016, estima-se que 54% das córneas transplantadas no Estado foram provenientes do Into. O Banco de Pele foi inaugurado no primeiro semestre deste ano e já teve 18 doações captadas, mas ainda aguarda sua primeira demanda de transplante. O material de pele é muito importante para pacientes com queimaduras extensas, funcionando como um curativo biológico que permite uma melhor recuperação do paciente e diminui o tempo de internação.
Rafael Prinz destaca, ainda, que o diferencial de ter um banco de pele no Into é a expertise que o instituto já tem com o tecido músculo-esquelético: – Já abordamos o mesmo doador para tecido músculo-esquelético e para pele. Já agregamos todo o conhecimento dos nossos profissionais e trabalhamos para que os doadores de músculo-esquelético sejam também potenciais doadores de pele. Assim, mandamos uma equipe só, que já faz toda a captação. E isso também é uma economia importante de recursos. Temos, na verdade, três bancos em um só – ressalta. Segundo ele, a principal dificuldade em relação à doação de pele é a falta de informação do público em geral sobre a possibilidade de doação e o processo, já que a captação compreende apenas uma área pequena e superficial da pele e em nada compromete a integridade do corpo. Para ele, a conscientização da população é um fator importante para captar mais doadores
Fonte: Jornal do CREMERJ – Dez 2017 https://www.cremerj.org.br/jornais/download/216