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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Artigo: Erro no cuidado de saúde



Erro no cuidado de saúde 
Por Adelia Quadros Farias Gomes*

Quando o paciente procura um médico ou um serviço de saúde espera que a assistência seja prestada com qualidade técnica e segurança. Nem sempre o desfecho é o desejado, mas deve ser sempre o resultado da própria condição de saúde do paciente, jamais decorrente de erro.
Infelizmente, nem sempre é assim. A mídia tem noticiado inúmeros casos de danos causados não pela doença, mas pelo processo de cuidado de saúde, sendo muitos desses, decorrentes de erros cometidos pelos profissionais de saúde (sejam eles médicos, enfermeiros, farmacêuticos ou outros). São chamados deerros médicos”, termo inadequadamente utilizado.
É importante reconhecer que o problema da falta de segurança e os erros estão relacionados à organização de saúde, ao ambiente, aos produtos e à complexidade da assistência, com a realização de inúmeros procedimentos e processos interdependentes. Erro não é sinônimo de incompetência profissional. Muitos erros acontecem com profissionais bem qualificados. Sendo assim, a expressão “errors in health care – erros no cuidado de saúde” é mais adequada, uma vez que esses erros são um problema sistêmico e não apenas individual.
Chama a atenção a reflexão do médico Dario Ferreira: “Os médicos e profissionais de saúde ainda não perceberam a gravidade, o tamanho, a importância epidemiológica e a catástrofe que são os danos que a gente causa aos pacientes”.
Uma questão relevante é que os erros no cuidado de saúde representam um grande desperdício de recursos, cada vez mais escassos. Estima-se que custem entre US$ 17 e 29 bilhões por ano. No entanto, o impacto dos erros vai além do custo financeiro. Pacientes internados, em especial os que estão em terapia intensiva, recebem dezenas de ações e procedimentos corretos e adequados para o seu cuidado. A taxa de assertividade no cuidado é de cerca de 99%. A questão para refletirmos é: será que uma taxa de 99,9% de acertos no processo de cuidado seria adequada?
Para termos ideia do impacto desse percentual, se pode ser ou não suficientemente adequado, consideremos que em outras situações 0,1% de erros significariam cerca de 25 mil objetos distribuídos errados pelos Correios (Brasil) por dia, 200 quedas acidentais de recém-nascido por dia no mundo, e significaria 32 mil cheques bancários compensados na conta errada a cada hora, de acordo com o um estudo feito por William Edwards Deming, um dos pioneiros na aplicação de melhorias no âmbito da qualidade. Outro estudo, de Rosenthal e Sutcliffe, aponta que 0,1% de erros significaria 20 mil prescrições erradas por ano, 500 cirurgias incorretas por semana e 2 mil documentos perdidos por hora. Todavia, para cada paciente, um erro significa 100% de risco ou de dano.
Os erros associados ao cuidado de saúde provocam incidentes que causam danos ao paciente, chamados de eventos adversos. A consequência muitas vezes são as sequelas ou a morte. No entanto, há estudos que comprovam que muitos eventos adversos, principalmente durante a hospitalização, são potencialmente evitáveis. 
Eventos graves e inaceitáveis são denominados never events, pois nunca deveriam ocorrer em serviços de saúde, como por exemplo, choque elétrico durante a assistência; procedimento cirúrgico realizado no lado errado do corpo, no paciente errado; contaminação na administração de O2 ou gases medicinais; suicídio de paciente; óbito ou lesão grave de paciente associados ao uso de contenção física ou grades da cama durante a assistência dentro do serviço de saúde; úlcera por pressão - estágio III ou IV; administração de medicação pela via errada; overdose de insulina devido a abreviaturas ou dispositivo incorreto; transfusão ou transplante de componentes sanguíneos ou órgãos com sistema ABO incompatíveis; entre outros.
As mortes provocadas por erros no cuidado de saúde estão entre as três primeiras causas de óbito nos Estados Unidos. No Brasil, os erros podem estar entre a segunda e a quinta causa de óbitos. Estudo realizado em 133 hospitais no Brasil estimou que, em 2015, mais de 300 mil pacientes morreram em decorrência de erros associados à assistência hospitalar, sendo a segunda causa de morte, ultrapassando os óbitos por câncer e por doenças respiratórias.
É certo que alguns eventos adversos são apenas uma parte do problema dos erros, pois nem todos os erros causam danos ao paciente, como os relacionados ao uso inadequado de medicação. Mas, ainda que a maioria desses erros não resulte em dano ao paciente, é necessário o esforço conjunto para rever os processos e as práticas de segurança. A gestão dos riscos é fundamental para isso e contempla as etapas de identificação, notificação, análise, avaliação, monitoramento, tratamento e comunicação de riscos, além da identificação dos fatores de mitigação, planejamento e implementação das ações de melhoria. Também é de suma importância identificar os fatores contribuintes e suas principais causas. Com a elaboração de um plano de ação, as medidas preventivas e corretivas são adotadas e estratégias implementadas tanto para prevenir quanto para mitigar as consequências dos erros e incidentes.
Tendo em mente que Errar é Humano, e que erros, inexoravelmente, podem acontecer, precisamos torná-los visíveis e atenuar seus efeitos. Os erros devem ser encarados como uma oportunidade para a revisão de processos e aprimoramento da assistência prestada ao paciente.
* Médica, Mestre em Ciências da Saúde Pública, educadora do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e membro da Sociedade Brasileira de Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP)


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Grupo Acreditar conquista Acreditação de suas unidades


Parabéns aos profissionais do Grupo Acreditar Oncologia S.A pelo empenho e dedicação para a conquista da Acreditação de suas Unidades
Reacreditação do Acreditar Oncologia S.A – Unidade Santa Marta
Acreditação do Acreditar Oncologia S.A. - Unidade Anchieta
Acreditação do Acreditar Oncologia S.A - Unidade PIO X


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

IV Congresso Internacional CBA2017


Participe do debate sobre Medicina Digital, diagnósticos, consultoria e educação continuada à distância no IV Congresso Internacional CBA2017 - 17 ( pre congresso ) ,18 e 19 de setembro de 2017
- Medicina Digital e as Fronteiras do mundo digital: da assistência à pesquisa clínica
com  Fátima Fernandes - Diretora Executiva do Instituto PENSI do Hospital Infantil Sabará (SP)

domingo, 5 de março de 2017

Gestão de custos impacta na sustentabilidade das instituições de saúde

Gestão de custos impacta na sustentabilidade das instituições de saúde
As novas exigências do mercado das instituições de saúde tornam o termo gestão uma necessidade em todos os níveis de uma organização. A gestão de custos passa a ser ferramenta estratégica para desenvolver um controle de gastos a fim de que as variações de custos médicos-hospitalares não comprometam a saúde financeira e a sustentabilidade do negócio. Diante de um cenário de alta nos gastos com tecnologia e perda de beneficiários, essas organizações devem buscar um método viável para superar as mudanças impostas pelo cenário atual. Nesta entrevista, o economista Franklin Lindolf Bloedorn, avaliador da Joint Commission International (JCI) e professor da disciplina Gestão de Custos nas Instituições de Saúde do curso de pós-graduação Qualidade em Saúde: Gestão e Acreditação, do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) fala sobre as habilidades que os gestores das unidades de saúde devem ter para evitar o impacto desse cenário e equilibrar as contas.
CBA – O índice de variação de custos médico-hospitalares, segundo o Instituto de Estudos de Saúde Complementar, registrou alta de 19,3% nos últimos 12 meses, encerrados em dezembro de 2015. Esse indicador vem crescendo desde 2011 acima de dois dígitos e esse resultado remete a um cenário preocupante do ponto de vista da sustentabilidade das instituições de saúde. O que as instituições devem fazer?
Franklin Lindolf Bloedorn - O conceito de pagamento por procedimentos tem contribuído em muito para este aumento elevado das atividades de saúde. A necessidade urgente da mudança do modelo de remuneração dos partícipes deste mercado é imperativo. Comprometer os prestadores de serviços de saúde desde o início do cuidado até a finalização do mesmo certamente auxiliará sobremaneira no controle destes gastos que têm subido acima da inflação geral. Tais premissas deverão envolver ainda o profissional médico que, no modelo atual, não tem visão de todo o tratamento proposto a este paciente.
CBA – A saúde suplementar também sofreu forte impacto. No ano passado, o segmento teve uma expressiva perda de beneficiários: foram 1,3 milhões de segurados a menos, sendo 187 mil oriundos de planos coletivos empresariais. Esse cenário se manteve no primeiro trimestre de 2016, de acordo com a Fenasaúde e essa perda acaba impactando as instituições de saúde que mantém convênio com as operadoras de saúde. Quais atitudes que o gestor de uma unidade de saúde deve ter para evitar o impacto e equilibrar as contas?
Franklin Lindolf Bloedorn - Diria que as instituições de saúde terão de reinventar-se. Não poderão mais ter postura passiva. Terão de ser pró-ativos. Buscar interagir com suas comunidades, entendendo o porquê de determinadas enfermidades acometerem certas populações, e desenvolver programas preventivos também. Desta forma, o recurso alocado pelas empresas trará mais benefícios no médio e longo prazo, e as instituições de saúde passarão a ter mais foco naquilo que de fato deverá ser a sua atuação, que é o atendimento a pacientes que realmente venham a necessitar de uma internação hospitalar, ou procedimento ambulatorial, se for o caso.
CBA - Dizem que saúde não tem preço, mas há custos para geri-la. Como conjugar saúde e gestão? Como o gestor deve lidar com o impacto das novas tecnologias e o reajuste de custos de exames, como, por exemplo, o da tomografia computadorizada que subiu 40%, entre 2012 e 2015, ou ainda com o valor médio de itens hospitalares, que passou de R$91,92 em 2007 para R$401 em 2015 - um aumento de cerca de 330%, que representa cinco vezes mais o IPCA desse mesmo período?
Franklin Lindolf Bloedorn - A compreensão de conceitos produtivos será muito útil aos gestores, sejam estes assistenciais ou não. Conceitos de volume, economia de escala, redução de desperdícios, lotes econômicos de atendimento, capacidade instalada versus demanda e inúmeros outros conceitos de gestão que ainda não chegaram em muitas instituições de saúde. Decidir o que fazemos bem e porque, e identificar o que não fazemos tão bem auxilia em muito a equalização das contas ao final de um período, seja este mensal ou anual.
CBA – Há métodos e sistemas mais indicados para instituições de saúde gerirem seus custos?
Franklin Lindolf Bloedorn - No contexto atual das instituições de saúde brasileiras, qualquer modelo de custeio que venham a adotar será salutar. Começar com Custeio Direto e por Absorção, por exemplo, por ser de mais fácil compreensão e implementação, certamente trará resultados mais rapidamente para aquela organização que não estiver utilizando nenhum modelo ainda.
CBA - É possível gerir custos e não perder a qualidade?
Franklin Lindolf Bloedorn - Gerir custos é justamente o que permitirá viabilizar processos mais seguros e, consequentemente, aprimorar a qualidade e a segurança da assistência prestada ao paciente. Os requisitos básicos para iniciar avaliação de custos serão muito úteis para entender processos e aprimorá-los, o que permitirá melhora da qualidade.
CBA – A gestão, hoje, é uma preocupação apenas da alta direção ou é uma tarefa também de líderes?
Franklin Lindolf Bloedorn - As novas exigências do mercado das instituições de saúde tornam o termo gestão uma necessidade a ser utilizada por todos os níveis da organização, e não somente pela alta direção. Conhecer as atividades que o meu setor desempenha avaliando se geram ou destroem valores passa a ser atribuição de cada líder, independente de sua posição no organograma. A gestão de custos passa a ser ferramenta estratégica para responder a estas e a muitas outras perguntas.
CBA - Como o curso “Gestão de Custos nas Instituições de Saúde” pode contribuir para carreira dos profissionais de saúde, gestores e lideranças intermediárias, públicos-alvo do curso oferecido pelo CBA?
Franklin Lindolf Bloedorn - Desmistificar o tema já é um grande passo nesta direção. Permitir que profissionais da saúde, com formação técnica assistencial, compreendam o assunto, sem tornarem-se especialistas em custos, compreendam como a sua atividade profissional diária e as decisões assistenciais tomadas, agregam valor ou custo aos processos da organização, ou que ainda entendam de forma prática o dia a dia de sua atividade e não uma ciência complexa que para muitos parece não fazer sentido quando atua-se na assistência de pacientes é o objetivo. A ideia é que esses profissionais tornem-se apto a participar com os gestores administrativos dos processos de redução de custos assistenciais, sem comprometer a segurança na assistência prestada ao paciente.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

1 Jornada da Qualidade e Segurança do Paciente

A Coordenadora de Educação Nancy Yamauchi irá abordar o tema sobre a 
Importância do planejamento do cuidado envolvendo equipes multidisciplinares - 1ª Jornada da Qualidade e Segurança do Paciente - Hospital Infantil Sabará
Inscrições Abertas!
http://www.ensinosabara.org.br/cursos/eventos_detalhes.asp?cod=65

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Curso de Introdução a Acreditação Internacional




CURSO DE INTRODUÇÃO A ACREDITAÇÃO INTERNACIONAL

Local – CBA – Rua São Bento, 13 – 4º andar, Centro – Rio de Janeiro/RJ

Dias- 02,03 e 04 de março / 2016

Docente – Dr. José de Lima Valverde Filho

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O Jornal Valor Econômico lançou um especial sobre os hospitais privados do país, com informações de inteligência de mercado com 265 páginas.
Destaque sobre o CBA neste importante material.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Medidas de segurança do paciente têm resistência de médicos, diz anestesista


Medidas de segurança do paciente têm resistência de médicos, diz anestesista

Ricardo Mioto e Gabriel Alves

A alta mortalidade dos pacientes no país está relacionada com a grande quantidade de erros médicos –ou "eventos adversos", no jargão–, diz o médico anestesista Enis Donizetti Silva, 55, presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo.

Enis aponta resistência dos médicos, tanto em na rede pública quando em hospitais de elite, a procedimentos padronizados e mesmo a medidas simples como lavar as mãos.

Ele capitaneia a criação da Fundação para a Segurança do Paciente, que congrega várias entidades médicas e será lançada em novembro.

Folha - Por que uma fundação pela segurança do paciente?
Enis Donizetti Silva - Se você ficar internado uma semana em um hospital brasileiro, é muito grande a chance de acontecer algo errado com a sua medicação. Dose errada, hora errada, paciente errado, medicação errada. São quase 40% de eventos adversos nos hospitais brasileiros, contra 15% em outros países.

Como se faz essa conta?
Contamos todo mundo que entra no hospital. Isso é o que consideramos 100%. De todos esses pacientes, no Brasil, quase 40% tiveram eventos adversos. O que são eventos adversos? É o que antigamente chamávamos de erro médico: tudo que sai fora do padrão estabelecido de diagnóstico ou tratamento e trouxe algum dano ao paciente.

Mas convenhamos que, a 40%, a mensagem é que é melhor ficar em casa...
Sem dúvida. Há alguns caminhos para reduzir isso, como checklists. É como quando um avião vai voar. Combustível? Instrumentos de voo? Na medicina é a mesma coisa. É este o paciente mesmo? É esta a perna certa? Mas poucos hospitais brasileiros fazem checklists. Em geral, só os que procuram ter acreditação [certificações internacionais de qualidade].

Mas há também uma resistência altíssima dos médicos ao checklist, não?
Muito grande. Total.

Até porque em geral ele não é comandado pelo médico.
É o enfermeiro, o técnico.

Então isso significa uma perda de poder do médico.
Sim. Quando você implanta uma cultura de segurança, você dá poder ao lado mais fraco: técnicos, enfermeiros, fisioterapeutas. O médico vai perder aquela aura. E isso tem de ser ensinado desde a faculdade. Porque o que ensinam hoje é que eu vou lá, examino, faço diagnóstico, estabeleço o tratamento e... dou uma ordem para a enfermeira.

Muitos médicos dizem que realizar checklists é burocratizar a medicina.
Depois que uma cultura está estabelecida, é difícil mudá-la. Ainda temos muitos problemas com médicos que não lavam a mão. Mas veja: na faculdade, não há aulas sobre a importância da lavagem. Resultado: mais de 90% dos casos de infecções de corrente sanguínea e infecção associada a cateter estão associadas a isso...

Quando surgiram as acreditações, elas eram tratadas jocosamente. "Vou preencher a burocracia." Médicos são às vezes um entrave a mudanças importantes.

É importante, por exemplo que os dados do paciente sejam anotados em um sistema eletrônico. Assim não vou injetar dipirona no paciente alérgico porque esqueci, porque não estava na minha ficha, porque a caligrafia do outro era incompreensível.

Se temos tantos problemas de procedimento, parece um tanto claro que despejar dinheiro em hospitais com procedimentos falhos não vai resolver o problema.

Só vai piorar. O grande problema de eventos adversos não é falta de infraestrutura. É o processo. E olha que nossa média já é muito alta: a mortalidade hospitalar do SUS na modalidade cirúrgica é de 3,72%. Em outros países, esse valor é de 0,5%.

Sem falar no altíssimo tempo de internação. Não adianta eu recuperar sua pneumonia mas deixar você 27 dias no hospital, porque eu causei um monte de eventos adversos. Pacientes que deixamos duas semanas internados ficam só quatro dias no hospital no exterior. Isso cria filas enormes no sistema de saúde. Um paciente ocupa o lugar de cinco. Sem falar no risco de, lá pelo décimo dia de internação, alguém errar o seu remédio...

Além do checklist, o que mais pode ser feito?
Um estudo clássico americano mostrou que a taxa de mortalidade em cirurgia cardíaca feita em um hospital que fazia o procedimento 30 vezes por ano era de 27%. Em um hospital que operava 10 mil doentes por ano, 6%.

Por que isso acontece? Quando você faz um volume grande, começa a estabelecer algo como uma linha de produção: cria procedimentos, estabelece padrões. Desse modo, hospitais abaixo de cem leitos começaram a ser questionados e fechados nos EUA.

Mas sabe quantos leitos têm a maior parte dos hospitais brasileiros? Uns 50, menos. A incidência de complicações é altíssima, porque o médico vai fazer um determinado tipo de cirurgia só uma ou duas vezes por ano.

Fechar hospitais pequenos é uma bandeira um tanto ingrata... Fico imaginando que político vai querer falar isso na cidadezinha do interior.
É terrível. O que se pode fazer é criar níveis de cuidado, deixando tais hospitais com procedimentos mais simples.

Outra dificuldade política é apontar problemas de gestão de processos no SUS. Uma ala dos especialistas defende que isso é um jeito de desviar o foco do financiamento.

Pois é. Minha bandeira é esfarrapada, o mastro é fraco e o vento é forte. O que tem de bonito nos processos? Nada. Não há glamour. Não estou falando em tratamento nos melhores lugares. Não estou falando em transporte de helicóptero, de jato, em superUTI. O que digo é justamente que o helicóptero, o jato, a superUTI podem contribuir enormemente mal para sua saúde.

Mas é difícil. Porque o que todo mundo quer é ter o plano top da Omint, da SulAmérica. Mas às vezes não é isso.

Nesse sentido, como é a situação da segurança do paciente em hospitais como o Sírio-Libanês ou o Einstein? Parece que mesmo eles têm problemas.

Eles vão bem na maior parte dos indicadores, até porque eles têm uma marca a proteger, mas há várias falhas, e eles sabem que há problemas graves. Uma questão é a própria lavagem das mãos. Os hospitais sempre fazem campanhas –e sempre fica claro que a adesão é baixa.

Uma das dificuldades desses hospitais é o fato de eles terem o corpo clínico aberto [ou seja, os médicos não são funcionários do hospital]. Isso dificulta padronizar processos. Aqui ficamos discutindo autonomia médica, se "o protocolo emburrece".

E quão factível seria não ter corpo clínico aberto?
É muito difícil. Porque, no nosso modelo, o paciente procura o médico, e o médico leva o paciente para o hospital. Então o hospital precisa cativar o médico. Imagina chamar o médico e dar bronca porque não lavou a mão... "Vai que ele fica chateado e não vai querer mais internar aqui..." Especialmente se você é um médico que põe 200 pacientes por mês no hospital.

Uma crítica comum a hospitais de elite é que eles seriam pequenas indústria de exames, procedimentos... Ninguém pisa neles impune, vai sair no mínimo com algum exame.

Vai sair. E temos de informar ao paciente que o excesso de exames traz prejuízos. O doente tem que saber que, ao pressionar o médico por um monte de exames desnecessários, está correndo risco. Porque os exames não são perfeitos. Tem falso positivo.

Eu já vi casos assim: um exame estava apontando uma alteração que só poderia ser confirmada por uma biópsia no fígado. Pegaram uma veia importante, teve sangramento. Aí teve de fazer uma cirurgia no abdômen para dar ponto no fígado. Foi para a UTI. Internação. Sabe qual o diagnóstico no final? Fígado normal.

Check-up bom é um bom exame clínico. Pegar uma lista de 40 exames e botar X em tudo? Pode ter certeza, seis ou sete virão com alterações.

É uma reclamação frequente dos pacientes: o médico é ruim, só ficou de conversinha, não pediu nenhum exame...


Exato. E virou uma indústria. É o lado perverso: o médico também quer bastante exame, até cirurgias, porque vai ter uma participação.
Fonte - FOLHA DE SÃO PAULO

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Objeto de desejo dos brasileiros, planos de saúde têm sinistralidade alta Acreditação pode ser a saída para saúde financeira e qualidade das operadoras


Objeto de desejo dos brasileiros, planos de saúde têm sinistralidade alta
Acreditação pode ser a saída para saúde financeira e qualidade das operadoras

Ele é apontado como o terceiro maior desejo dos brasileiros, segundo pesquisa do Ibope Inteligência. Para os trabalhadores, ele está em primeiro lugar na preferência entre benefícios, como participação nos lucros e vale alimentação, conforme Pesquisa dos Profissionais Brasileiros, realizada pela Catho. Apesar de ser ‘objeto’ de consumo, apenas 27,9% dos brasileiros possuem um plano de saúde médico ou odontológico, como mostram dados do IBGE.

Apesar levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) ter mostrado que o total de beneficiários de planos de saúde médico-hospitalar cresceu 1% em junho na comparação com junho de 2014, somando 50,5 milhões de planos contratados ao final do primeiro semestre de 2015, o Boletim da Saúde Suplementar – Indicadores Econômico-financeiros e de
Beneficiários, publicado recentemente pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) com base nas informações extraídas dos sistemas de informação da ANS, revelou que de cada R$ 100,00 recebidos pelas operadoras de planos de saúde por meio de mensalidades, R$ 98,00 são destinados essencialmente para custear as despesas assistenciais e administrativas. “A sinistralidade está alta, especialmente para as operadoras de alta gestão. A única saída é fazer a gestão correta dos seus processos e, principalmente, dos processos assistenciais de cuidados. A facilidade que as pessoas têm de repetir exames é grande. As operadoras têm levantado alguns índices de pessoas que fazem exames e que, simplesmente, não vão buscar seus resultados”, observa José de Lima Valverde Filho, coordenador de Acreditação para Operadoras de Planos de Saúde do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), primeira instituição homologada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para acreditar operadoras com base na resolução 277/11. Segundo ele, a solicitação de exames é dissociada de indicações clínicas. “Um médico amigo ou da família pode, a pedido do próprio paciente, fazer exames complementares. A ida a especialistas é livre e os pacientes não são obrigados a se consultarem com um generalista previamente, capaz de resolver muitas das queixas sem recorrer a sofisticados e caros exames complementares”, alerta.

Embora o coordenador afirme que a acreditação é um passo importante para a gestão das operadoras de planos de saúde, ainda é baixo o número de instituições acreditadas. Segundo a ANS, das 1,4 mil operadoras de planos de saúde com registro ativo, apenas seis possuem acreditação. “A ANS deveria chamar os organismos acreditadores e as operadoras para uma discussão sobre a importância da acreditação”, sugere Valverde Filho. No seu entendimento, a vantagem da acreditação está no que chama de avaliação sistêmica: “a metodologia avalia a empresa em sua relação com os provedores, com a sua rede credenciada, com seus beneficiários, com os órgãos reguladores, em relação à segurança, a sustentabilidade do seu negócio, entre outros aspectos. Por outro lado, faz a avaliação da atividade fim. Ou seja, é correto afirmar que estamos avaliando tanto a operadora no viés de gestão como na prestação de cuidados assistenciais e preventivos. Não existe nenhuma outra metodologia certificadora de qualidade que faça isso”, assegura.

Diretor técnico da primeira operadora acreditada no Brasil, a Bradesco Saúde, Flávio Bitter, conta que a candidatura voluntária à acreditação não teve como objetivo único obter um certificado de qualidade: “Nossa preocupação maior dizia respeito em relação à qualificação da rede referenciada, com a informação que prestamos ao nosso segurado, em apoiá-lo em suas necessidades. Enfim, nossa tônica sempre foi a de um sistema com um padrão de qualidade superior. Queremos que a Bradesco Seguros seja conhecida como a melhor gestora de saúde do mercado”, enfatiza o diretor da operadora, que foi acreditada pelas metodologias I (padrões criados pelo CBA, com base em critérios internacionais e com consultoria da Joint Commission International) e II (atende aos padrões da RN 277/11).

De olho em se qualificar frente ao mercado, três novas operadoras de saúde iniciaram o processo de acreditação junto ao CBA. São elas, a São Cristóvão Saúde, a São Francisco Saúde e a São Francisco Odontologia.

Para a diretora de Estratégias e Gestão do São Cristóvão Saúde, Caroline de Freitas Ventura Amaro, a busca pela acreditação “além de atender a resolução normativa 277 da ANS e melhorar a confiabilidade da operadora junto ao mercado e agências reguladoras, firma o compromisso que a operadora possui junto a seus beneficiários, a fim de melhorar a satisfação, segurança e a qualidade no cuidado” o que, segundo ela, pode colaborar para o aumento da confiança e da satisfação dos clientes. A diretora vê ainda a acreditação como uma forma de melhorar a sinistralidade através do gerenciamento dos programas de promoção da saúde, atendendo as determinações da agência reguladora e dos beneficiários, avaliando e monitorando a qualidade e segurança dos prestadores de serviços.

Diretor institucional da São Francisco Saúde (em preparação para a acreditação pelas metodologias I e II), Paulo Santini Gabriel vislumbra que a busca da excelência pode agregar valores para a empresa, pela padronização e institucionalização das atividades, conhecimentos e informações gerados e por monitorar e proporcionar melhorias constantes. “Em termos práticos, significa que nos centramos em processos estruturados e áreas responsáveis, sempre com foco no cliente. Isso se refletirá em agilidade na resolução de problemas, uma vez que haverá um processo norteador por meio de planos de ação estabelecidos e sempre revisados, o que é exigência da acreditação”, avalia.

Pertencente ao Grupo São Francisco, a operadora já começou a disseminar os padrões junto às equipes assistenciais e administrativas próprias a partir de agentes multidisciplinares, formado por funcionários voluntários responsáveis por replicar o conhecimento gerado e decisões tomadas pelo grupo do Programa de Melhoria da Qualidade, gerido pela Coordenação da Qualidade. “Além disso, desenvolvemos, junto ao Recursos Humanos e a área de Comunicação Interna, cronograma de treinamentos e divulgação periódica em intranet dos andamentos do projeto de acreditação”, conta Gabriel. O diretor institucional revela ainda que, junto a terceiros, foi estruturado um cronograma com responsáveis para visitas de fiscalização e instrução dos padrões, produção e distribuição de material informativo, além de eventos para estimular e capacitar os integrantes da rede contratada. Igualmente, a São Cristóvão Saúde formou times de trabalho para cada dimensão dos padrões de acreditação, definindo estratégias e criando novos canais de comunicação e reforço das informações, tanto para as equipes próprias quanto para os terceiros e prestadores de serviços.

Para Caroline Amaro, a padronização dos processos de gestão e serviços, e a implantação e o monitoramento de indicadores assistenciais e administrativos visam estimular a aplicação de estratégias, reduzindo riscos aos pacientes e aos profissionais, minimizando desperdícios e, consequentemente, o custo dos serviços.

A diretora da São Cristóvão Saúde não está sozinha quando fala de melhoria da qualidade e redução de custos. O diretor da São Francisco Saúde também enxerga a acreditação como investimento. “Um bom exemplo é a Adequação dos Serviços para os Beneficiários, que dentre outros assuntos, versa sobre a identificação de pacientes crônicos, de grupos de risco e a implantação de programas de promoção à saúde. Haja vista as transformações demográficas pelas quais passa o Brasil, como o alargamento do topo da pirâmide etária, o controle dos custos e despesas assistenciais passa diretamente pela prevenção de doenças, sendo este um caminho necessário a ser trilhado pelas operadoras que buscam a acreditação”, enfatiza Paulo Gabriel.

Valverde Filho assinala que a acreditação analisa e avalia, entre outros, processos, o que significa analisar o uso dos recursos das operadoras para o cumprimento de suas obrigações com seus beneficiários. “A questão é que recursos são finitos. Portanto, é preciso gerenciá-los adequadamente. Se você não tem ideia aonde gasta, como gasta ou porque gasta, recursos vão pelo ‘ralo’. O cerne é gastar bem e não mais, necessariamente”. Para o coordenador do CBA, a acreditação ajuda, por exemplo, na alocação de verbas para a promoção de saúde. “É incrível como algumas operadoras, ainda hoje, duvidem que promover a saúde ou evitar mais agravos aos seus pacientes crônicos, seja um mal negócio. Algumas disponibilizam programas, desde que o beneficiário pague! Mas é bom que fique claro que quando se fala em controlar gastos, não se trata de racionar e sim racionalizar, que são coisas completamente diferentes”, enfatiza.

Congresso

Se você se interessou pelo tema, participe do III Congresso Internacional de Acreditação, que acontece de 20 a 23 de setembro, no Rio de Janeiro. Especialmente no dia 22, acontece a mesa “Modelos de Monitorização dos Pacientes utilizados pelas Operadoras de Plano de Saúde”, com a participação da superintendente médica da Bradesco Saúde, Maristela Duarte Rodrigues,
do diretor da Carelink Gestão em Saúde, Paulo Pavarini Jr., e
do médico Paulo Cesar P. de Souza, membro da Diretoria Técnica da Amil.

Para mais informações acesse: http://www.cbacred.org.br/congresso-internacional/iii


Publicações de saúde do CBA completam cinco anos e lançam novas edições


Publicações de saúde do CBA completam cinco anos e lançam novas edições

Duas publicações voltadas para o setor de saúde, editadas pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), estão completando cinco anos de existência: a Revista Acreditação em Saúde e a Revista Acreditação (ACRED), ambas focadas em qualidade e segurança do paciente. A primeira aborda a temática a partir de cases de sucesso de instituições brasileiras acreditadas pela Joint Commission International (JCI), do qual o CBA é representante exclusivo no Brasil. Já a segunda, é uma publicação científica eletrônica, indexada pelo Capes/MEC, que visa estimular a pesquisa, experimentos e a análise crítica sobre o assunto.

http://cbacred.org.br/noticias/2015/08/05.asp


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Artigos Científicos - Revista Acreditação


Esta 9º edição da Revista Acreditação publica artigos científicos que discutem maneiras de visualizar e repensar o processo assistêncial, na maioria em ambiente hospitalar,buscando melhorias para as ações de cuidado e para a segurança na assistência ao paciente. 
http://cbacred.org.br/ojs/


quinta-feira, 16 de julho de 2015

MBA QUALIDADE EM SAÚDE: GESTÃO E ACREDITAÇÃO - PARCERIA CBA E FECS


MBA QUALIDADE EM SAÚDE: GESTÃO E ACREDITAÇÃO - PARCERIA CBA E FECS

Início: 01 de outubro de 2015
Local: Rua João Julião, 245 - 1º andar – Paraíso - CEP 01323-020 - São Paulo-SP

A gestão da qualidade dos serviços de saúde é reconhecida primordialmente como um diferencial na segurança e excelência dos processos institucionais, exigindo conhecimentos específicos. A crescente introdução de novas tecnologias, métodos e especializações determinam não só o aumento da diversidade e complexidade das atividades e processos, mas também dos custos e da competitividade do Setor. Além disso, a cada dia os usuários estão mais cônscios de seus direitos, o que os torna mais exigentes. Este conjunto de fatores, entre outros, resulta em crescente desafio para os gestores de serviços de saúde, determinando a necessidade de profissionais adequadamente qualificados e capacitados.

O CBA, parceiro da FECS neste MBA, representa no país a Joint Commission International (JCI), importante organização mundial de Acreditação Hospitalar. Atualmente, os principais hospitais do Brasil buscam ter o selo de Acreditação da JCI. O CBA conta com equipe docente especializada e titulada, com produção acadêmica e experiência na área de Qualidade e Segurança do Paciente e notório saber na Metodologia da JCI.

Esta é uma proposta inovadora, não há outra oferta no mercado de São Paulo.

Atuação
Este MBA busca capacitar gestores e profissionais de instituições de saúde, públicas e privadas, para o planejamento, organização, desenvolvimento e avaliação dos processos de qualidade em saúde. Os profissionais serão preparados para desenvolver a capacidade gerencial e competitiva de suas instituições, através da racionalização dos métodos e práticas de gestão com excelência. ​

Conteúdo Programático
Qualidade aplicada às instituições de saúde
Qualidade e Acreditação em saúde
Gestão e planejamento em saúde
Gestão de custos nas instituições de saúde
Qualidade e Segurança em saúde – gestão de risco
Gerenciamento da informação
Gerenciamento do ambiente em instituições de saúde – FMS
Educação e qualificação dos profissionais
Direitos dos pacientes e familiares
Prevenção e controle de infecções – PCI
Gerenciamento e uso de medicamentos – MMU
Indicadores de desempenho baseados no programa de Acreditação Internacional
Acolhimento e classificação de risco no Sistema de Urgência Hospitalar em interface com o Programa de Acreditação Internacional
Metodologia da ciência e pesquisa científica

Detalhes do Curso
Duração: Carga horária total do curso é de 464 horas, com uma duração estimada de 14 meses.

Tipo de Formação
MBA

Informações
Período: Quinta, sexta e sábado das 8h30 às 17h30, uma vez ao mês.
Processo Seletivo: Análise curricular.
Datas de Início: 01 de outubro de 2015
Matrícula: R$ 100,00
Investimento: 16 parcelas de R$ 1.500,00 = R$ 24.000,00.

Matrícula
Documentos necessários:

Cópia e original do diploma de graduação;
Cópia e original do histórico escolar de graduação;
Curriculum vitae atualizado;
Cópia do CPF e da carteira de identidade;
Cópia do comprovante de residência;
Uma foto 3x4 colorida, recente.

QUANTIDADE PARTICIPANTE VALOR DESCONTO
02 A 03 5%
04 A 05 10%
06 A 08 15%
ACIMA DE 09 20%
Estudantes 50%

A matrícula está condicionada à aprovação no processo seletivo, apresentação dos documentos comprobatórios, pagamento da primeira parcela e assinatura do contrato de prestação de serviços.
* sujeito à formação da turma.


Coordenação CBA
Rosangela Boigues Pittioni - (21) 3299-8241 - ensino@cbacred.org.br
(21) 3299-8243 – secretaria.ensino@cbacred.org.br

Coordenação FECS
Profa. Dra. Letícia Faria Serpa