sexta-feira, 24 de abril de 2015
FMEA: Análise dos Modos de Falha e Efeitos
Local: CBA - Rua São Bento, 13 - 4º andar, Centro - Rio de Janeiro/RJ
Dias: 15 e 16 de maio/2015
Objetivo
O principal objetivo do FMEA é identificar, delimitar, e descrever as possíveis não conformidades (modos de falha) de um processo, seus efeitos e causas, além de criar condições organizacionais para minimizá-las ou eliminá-las, através de ações de prevenção estruturadas e realizadas em prazo e por profissional devidamente indicado.
Público Alvo
Líderes e gestores cujo papel relaciona-se com questões estratégicas da instituição de saúde, assim como resultados através da gestão de pessoas e processos.
Carga Horária: 16 horas
phttp://cbacred.org.br/agenda/2015/0515.asp
Uma Visão dos Diversos Programas para a Excelência
Uma Visão dos Diversos Programas para a Excelência
Local: CBA - Rua São Bento, 13 - 4º andar, Centro - Rio de Janeiro/RJ
Dias: 04 e 05 de maio/2015
Objetivo
Apresentar e discutir os principais aspectos envolvidos nos diversos caminhos disponíveis para a excelência, suas principais características, fundamentos e métodos de adoção.
Público Alvo
Gestores e pessoal técnico/administrativo que se interessem pelo assunto, ou que estejam – ou possam vir a estar – envolvidos na adoção, pela instituição, de uma estratégia mais adequada que a conduza à excelência.
Carga Horária: 16 horas
Valor: R$1.200,00
http://cbacred.org.br/agenda/2015/0504.asp
quarta-feira, 8 de abril de 2015
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Primeira unidade hospitalar de Brasília, Hospital Santa Lúcia busca acreditação JCI
Foto: Estúdio Marliére
Primeira unidade hospitalar de Brasília, Hospital Santa Lúcia busca acreditação JCI
Em 1963, acreditando no potencial da recém-inaugurada capital do país, um grupo de jovens médicos com espírito inovador planejou o primeiro hospital da rede privada de Brasília: o Hospital Santa Lúcia, com a proposta de oferecer assistência humanizada, instalações modernas, tecnologia de ponta no diagnóstico por imagem e equipe altamente qualificada.
Leia mais
domingo, 5 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Manual de Padrões da Joint Commission International para Cuidados Ambulatoriais
Saiba como adquirir o Manual de Padrões da Joint Commission International
para Cuidados Ambulatoriais
Direitos do paciente e seus familiares na área da saúde. O que você deve saber sobre eles?
Direitos do paciente e
seus familiares na área da saúde. O que você deve saber sobre eles?
Você
sabia que o paciente pode desejar que seu diagnóstico não seja informado à
família? Que a equipe de uma instituição de saúde deve respeitar os valores e
crenças do paciente? Que o paciente tem direito a buscar a segunda opinião? Que
é dever do hospital explicar sobre o tratamento proposto ao paciente e seus
familiares?
Esses
e outros direitos serão abordados no curso Direitos do Paciente e Familiares,
sob a ótica da legislação do setor e de acordo com os padrões da Joint
Commission International (JCI), maior agência verificadora da qualidade e
segurança em instituições de saúde do mundo.
Voltado
para profissionais, gestores e líderes na área da área de Saúde, o curso
acontece nos dias 17 e 18 de abril, na sede do Consórcio Brasileiro de
Acreditação (CBA), representante exclusivo no Brasil da JCI. Seu conteúdo
programático é voltado para que os profissionais possam promover a garantia
desses direitos no ambiente da saúde.
Mais
informações no site www.cbacred.org.br
ou pelo telefone (21)3299-8241 ou 3299-8202, ou ainda, pelo email secretaria.ensino@cbacred.org.br.
O CBAfica na R. São Bento, 13, 4º andar, no Rio de Janeiro.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Qualidade e acreditação em Saúde
Curso - Qualidade e acreditação em Saúde
Local: CBA - Rua São Bento, 13 - 4º andar, Centro - Rio de Janeiro/RJ
Dias: Em breve iremos dispor a data
Compreender informações sobre histórico, princípios, conceito, metodologias, manuais e padrões aplicados para a gestão da qualidade e programas de acreditação em instituições prestadoras de serviços de saúde, com ênfase na metodologia de Acreditação Internacional da Joint Commission International.
Público Alvo
Profissionais de saúde, gestores e lideranças intermediárias.
Carga Horária: 24 horas
Valor: R$1.800,00
Ficha de Inscrição
quinta-feira, 19 de março de 2015
Fronteiras da Medicina reúne especialistas de referência internacional em Porto Alegre
Fronteiras da Medicina reúne especialistas de referência
internacional em Porto Alegre
Simpósio é organizado pelo Hospital Moinhos de Vento e
pela Johns Hopkins Medicine International
Grandes nomes internacionais da Cardiologia, Mastologia,
Medicina de Emergência, Neurologia, Oncologia, Reumatologia e Urologia estarão
reunidos em Porto Alegre para discutir a realidade e os rumos de diferentes
especialidades da área da saúde.
A primeira edição do Simpósio Fronteiras da Medicina, uma
parceria entre o Hospital Moinhos de Vento e a Johns Hopkins Medicine
International, terá debates simultâneos sobre diferentes práticas e abordagens
em câncer de mama, AVC em mulheres, terapia imunobiológica, câncer urológico,
insuficiência cardíaca, entre outros. O evento será realizado entre os dias 26
e 28 de março, no Hotel Sheraton.
Além de exposições de especialistas de hospitais de
excelência do Brasil, como o Sírio-Libanês, Albert Einstein, Oswaldo Cruz,
Samaritano e o próprio Hospital Moinhos de Vento, a programação contará com a
participação presencial e por videoconferência de dez médicos do Hospital Johns
Hopkins – considerado uma das três melhores instituições de saúde dos Estados
Unidos.
Segundo o chefe do Serviço Médico de Emergência do
Hospital Moinhos de Vento, Paulo Schmitz, a grande procura pelo painel
‘Medicina de Emergência’ é reflexo da amplitude do tema e da crescente demanda
por capacitação. “Cada vez mais profissionais têm buscado se especializar nesta
área, visto a superlotação e as exigências de que o atendimento seja rápido.
Nos Estados Unidos, a especialidade já é reconhecida desde os anos 70”,
explica. Schmitz destaca a participação da médica Leah Bright, que irá
compartilhar as experiências da Johns Hopkins no segmento.
Avanços no tratamento de doenças reumáticas também serão
discutidos no simpósio. O diretor do Centro de Artrite Johns Hopkins, Clifton
Bingham, referência mundial em Terapia Imunobiológica, apresentará novidades em
pesquisas e suas contribuições para novas terapêuticas. “A participação dele em
vários comitês internacionais para liberar medicações para o tratamento da
artrite reumatoide gerou todo um processo de uma nova terapia revolucionária,”
destaca a chefe do Serviço Médico de Reumatologia, Karina Capobianco.
Para o chefe do Serviço de Urologia, Eduardo Carvalhal,
esta será uma ótima oportunidade para a integração entre as duas instituições.
“As práticas em Urologia do Johns Hopkins há 20 anos estão no topo do ranking
norte-americano de avaliação”, ressalta. Carvalhal destaca as participações de
Brian Matlaga, referência mundial em endourologia e litíase urinária, e
Christian Pavlovich, especialista em cirurgia minimamente invasiva em
uro-oncologia, com enfoque em câncer de próstata e câncer renal.
O Comitê Científico do Fronteiras da Medicina é composto
pelos médicos do Hospital Moinhos de Vento Luiz Antonio Nasi (Superintendente
Médico), Carisi Polanczyk (Superintendente Médica Adjunta), Sérgio Roithmann
(Chefe do Serviço Médico de Oncologia), Maira Caleffi (Chefe do Serviço Médico
de Mastologia), Daniela Rosa (Oncologista), Sheila Martins (Chefe do Serviço
Médico de Neurologia e Neurocirurgia), Eduardo Carvalhal (Chefe do Serviço de
Urologia), Paulo Schmitz (Chefe do Serviço Médico de Emergência), Karina
Capobianco (chefe do Serviço Médico de Reumatologia), e pelo Diretor Clínico do
Programa de Coluna no Centro Médico Johns Hopkins Bayview, Ali Bydon.
Os interessados podem se inscrever através do portal do
evento: www.fronteirasdamedicina.com.br>.
No portal, também há informações completas sobre a programação.
Destaques Internacionais
Dr. Ali Bydon
Integrante do comitê científico do Fronteiras da
Medicina, co-diretor de Educação em Neurocirugia para Estudantes de Medicina e
diretor Clínico do Programa de Coluna no Centro Médico Johns Hopkins Bayview.
Sua prática clínica se concentra em doenças degenerativas da coluna vertebral,
como tumores, reconstrução complexa e restauração. O médico também atua como
diretor de Educação em Neurocirurgia para Estudantes da Graduação, diretor do
Laboratório de Biomecânica e Desfechos em Coluna e diretor Médico do Programa
de Afiliação do Hospital Moinhos de Vento.
Lillie Shockney
Diretora Administrativa do Centro de Mama da Johns
Hopkins e dos Programas de Sobrevivência ao Câncer da Johns Hopkins, Lillie é
sobrevivente do câncer de mama duas vezes, e tem trabalhado incansavelmente
para melhorar o tratamento de pacientes com a doença em todo o mundo. Ativa
como pesquisadora em questões de qualidade de vida para sobreviventes da
doença, a enfermeira é uma forte defensora do humor como uma forma benéfica de
medicina complementar. Em 2008, o Conselho da Johns Hopkins a indicou para uma
cadeira do Serviço de Professora Assistente da Universidade. Foi a primeira vez
na história da instituição que uma enfermeira do hospital foi nomeada para uma
designação de atendimento diferenciado.
A difícil escolha do melhor hospital
A difícil escolha do melhor hospital
Até quando o Ministério da Saúde vai negar aos brasileiros o direito à informação sobre os indicadores de qualidade das instituições de saúde?
CRISTIANE
SEGATTO
16/01/2015
18h46 - Atualizado em 16/01/2015
19h30
iShre6
No início de cada semana, tenho uma
única certeza: até o final dela, algum leitor ou colega pedirá a indicação de
um bom médico ou de um bom hospital. Não me surpreendo quando vários pedidos
surgem no mesmo dia. Acontece com todo jornalista da área de saúde.
>> Mais textos de Cristiane Segatto
Tento ajudar da melhor maneira possível, mas lamento não poder me guiar por parâmetros objetivos. A escolha de médicos sempre será subjetiva, mas é inadmissível que a seleção de hospitais também seja.
Até quando o Ministério da Saúde vai negar aos brasileiros o direito à informação sobre os indicadores de segurança e desempenho dos hospitais? Podemos escolher hotéis e restaurantes a partir de critérios técnicos, mas somos impedidos de comparar as diferentes instituições de saúde.
Qual é o índice de infecção do hospital A? E as taxas de complicação do B? Qual é a sobrevida de quem faz uma cirurgia cardíaca ou um transplante aqui ou ali? Esses dados existem -- pelo menos no grupo de hospitais privados que passam por longos processos de avaliação internacional para receber selos de qualidade.
As informações seguem guardadas a sete chaves. Ainda que um hospital divulgue um ou outro parâmetro (em geral, o mais favorável a ele), o cliente não pode comparar as diferentes instituições.
Meu sonho de consumo é um ranking. Uma ferramenta que me permita escolher o melhor hospital a partir de critérios que realmente façam diferença quando o assunto é saúde.
Enquanto essas informações não se tornarem públicas, os pacientes continuarão a escolher hospital da forma mais idiota que existe: pela decisão (muitas vezes, mal informada) das celebridades, pelo piso de mármore e pela decoração elegante.
Saúde é o mais precioso dos bens. Não pode ser delegada a qualquer um. Há coisas que os hospitais não contam, como revelamos nesta reportagem de capa e nesta outra coluna.
Tento ajudar da melhor maneira possível, mas lamento não poder me guiar por parâmetros objetivos. A escolha de médicos sempre será subjetiva, mas é inadmissível que a seleção de hospitais também seja.
Até quando o Ministério da Saúde vai negar aos brasileiros o direito à informação sobre os indicadores de segurança e desempenho dos hospitais? Podemos escolher hotéis e restaurantes a partir de critérios técnicos, mas somos impedidos de comparar as diferentes instituições de saúde.
Qual é o índice de infecção do hospital A? E as taxas de complicação do B? Qual é a sobrevida de quem faz uma cirurgia cardíaca ou um transplante aqui ou ali? Esses dados existem -- pelo menos no grupo de hospitais privados que passam por longos processos de avaliação internacional para receber selos de qualidade.
As informações seguem guardadas a sete chaves. Ainda que um hospital divulgue um ou outro parâmetro (em geral, o mais favorável a ele), o cliente não pode comparar as diferentes instituições.
Meu sonho de consumo é um ranking. Uma ferramenta que me permita escolher o melhor hospital a partir de critérios que realmente façam diferença quando o assunto é saúde.
Enquanto essas informações não se tornarem públicas, os pacientes continuarão a escolher hospital da forma mais idiota que existe: pela decisão (muitas vezes, mal informada) das celebridades, pelo piso de mármore e pela decoração elegante.
Saúde é o mais precioso dos bens. Não pode ser delegada a qualquer um. Há coisas que os hospitais não contam, como revelamos nesta reportagem de capa e nesta outra coluna.
Os brasileiros precisam acordar para isso e exigir o
respeito ao seu poder de decisão. “De forma geral, os pacientes ainda são muito
passivos”, diz Antonio Lira, superintendente técnico-hospitalar do
Sírio-Libanês, em São Paulo. “Precisamos educar a população para que ela nos
vigie mais e nos ajude a melhorar aquilo que não vai bem.”
Não sonho com algo impossível. Nos Estados Unidos, o governo criou um site para ajudar a população a avaliar os indicadores de segurança e qualidade de 3.300 hospitais. O cidadão seleciona hospitais de interesse em determinada região e o sistema fornece gráficos com a comparação das instituições com base em indicadores como “complicações cirúrgicas”, “óbitos”, “reinternações” e “infecção hospitalar”.
Enquanto as autoridades brasileiras não atendem a essa necessidade, cabe aos hospitais levar a sério o discurso da transparência. O Sírio-Libanês é um dos que passaram a divulgar alguns indicadores importantes, mesmo quando eles são desfavoráveis à instituição.
Ao acessar o site, o cliente pode ver o desempenho do hospital em relação a metas internas de qualidade e em relação aos índices recomendados internacionalmente. Fica sabendo, por exemplo, que o índice de infecção hospitalar piorou ligeiramente no ano passado em relação a 2013.
“Não dá para brincar de ser transparente e mostrar só o que é favorável à instituição”, afirma Lira. Segundo ele, os fatores que levaram ao aumento dos casos de infecção hospitalar estão sendo investigados. “Talvez isso tenha ocorrido porque recebemos mais pacientes já infectados com bactérias resistentes aos medicamentos”.
Se um hospital disser que tem índice zero de infecção ou de erros cirúrgicos ou de medicação, fuja dele correndo. É mentira - ou a instituição não está registrando e investigando as ocorrências.
Por mais zeloso que um hospital seja, erros acontecem. Um paciente do Sírio-Libanês procurou a instituição para fazer um checkup. Um tumor inicial no rim foi descoberto e a cirurgia, agendada.
Lira conta que todo o ritual de cuidados preconizados pelo hospital para garantir uma cirurgia segura foi realizado. Quando abriu o paciente e olhou o rim, um cirurgião dos mais experientes não observou lesão alguma. Pediu para ver a imagem do exame e, surpreso, notou que o tumor era no outro rim – o esquerdo.
O que deu errado? O cirurgião havia se guiado pelo laudo do radiologista (e não pela imagem) para fazer o corte. Só que o laudo estava errado. Por que o radiologista errou? Mais um caso de falha induzida pela alta tecnologia...
O software sofisticado permitia ao radiologista rodar a imagem do exame na tela para observar o órgão em detalhes antes de escrever o laudo. O radiologista rodou a imagem e saiu da sala. Quando voltou, esqueceu que havia feito a inversão e escreveu o laudo como se o tumor fosse no rim direito – exatamente como o enxergava na tela do computador. Um pequeno deslize que expôs o paciente a um risco desnecessário e o hospital, a um enorme constrangimento.
O resultado: o corte foi fechado e o paciente voltou para o quarto. A equipe, orientada por Lira, explicou a falha ao cliente e assumiu o erro. O caso levou à mudança do software e à adoção de uma dupla conferência da imagem e do laudo antes das cirurgias.
Um mês depois, a operação no rim certo foi feita no próprio hospital. O paciente se recuperou e, a convite de Lira, contou sua história publicamente num congresso de tecnologia e cuidados hospitalares.
“Precisamos falar sobre nossos erros para nunca esquecermos que somos falíveis”, diz Lira. “A questão não é tentar ser infalível. Todo mundo erra. A questão é como devemos agir depois de uma falha”.
Ouvir isso de um médico que ocupa um alto cargo na gestão de um dos maiores hospitais privados do país é sinal de uma louvável mudança cultural. Muito mais ainda precisa acontecer nas instituições de saúde para que a transparência deixe de ser apenas um discurso conveniente.
Não sonho com algo impossível. Nos Estados Unidos, o governo criou um site para ajudar a população a avaliar os indicadores de segurança e qualidade de 3.300 hospitais. O cidadão seleciona hospitais de interesse em determinada região e o sistema fornece gráficos com a comparação das instituições com base em indicadores como “complicações cirúrgicas”, “óbitos”, “reinternações” e “infecção hospitalar”.
Enquanto as autoridades brasileiras não atendem a essa necessidade, cabe aos hospitais levar a sério o discurso da transparência. O Sírio-Libanês é um dos que passaram a divulgar alguns indicadores importantes, mesmo quando eles são desfavoráveis à instituição.
Ao acessar o site, o cliente pode ver o desempenho do hospital em relação a metas internas de qualidade e em relação aos índices recomendados internacionalmente. Fica sabendo, por exemplo, que o índice de infecção hospitalar piorou ligeiramente no ano passado em relação a 2013.
“Não dá para brincar de ser transparente e mostrar só o que é favorável à instituição”, afirma Lira. Segundo ele, os fatores que levaram ao aumento dos casos de infecção hospitalar estão sendo investigados. “Talvez isso tenha ocorrido porque recebemos mais pacientes já infectados com bactérias resistentes aos medicamentos”.
Se um hospital disser que tem índice zero de infecção ou de erros cirúrgicos ou de medicação, fuja dele correndo. É mentira - ou a instituição não está registrando e investigando as ocorrências.
Por mais zeloso que um hospital seja, erros acontecem. Um paciente do Sírio-Libanês procurou a instituição para fazer um checkup. Um tumor inicial no rim foi descoberto e a cirurgia, agendada.
Lira conta que todo o ritual de cuidados preconizados pelo hospital para garantir uma cirurgia segura foi realizado. Quando abriu o paciente e olhou o rim, um cirurgião dos mais experientes não observou lesão alguma. Pediu para ver a imagem do exame e, surpreso, notou que o tumor era no outro rim – o esquerdo.
O que deu errado? O cirurgião havia se guiado pelo laudo do radiologista (e não pela imagem) para fazer o corte. Só que o laudo estava errado. Por que o radiologista errou? Mais um caso de falha induzida pela alta tecnologia...
O software sofisticado permitia ao radiologista rodar a imagem do exame na tela para observar o órgão em detalhes antes de escrever o laudo. O radiologista rodou a imagem e saiu da sala. Quando voltou, esqueceu que havia feito a inversão e escreveu o laudo como se o tumor fosse no rim direito – exatamente como o enxergava na tela do computador. Um pequeno deslize que expôs o paciente a um risco desnecessário e o hospital, a um enorme constrangimento.
O resultado: o corte foi fechado e o paciente voltou para o quarto. A equipe, orientada por Lira, explicou a falha ao cliente e assumiu o erro. O caso levou à mudança do software e à adoção de uma dupla conferência da imagem e do laudo antes das cirurgias.
Um mês depois, a operação no rim certo foi feita no próprio hospital. O paciente se recuperou e, a convite de Lira, contou sua história publicamente num congresso de tecnologia e cuidados hospitalares.
“Precisamos falar sobre nossos erros para nunca esquecermos que somos falíveis”, diz Lira. “A questão não é tentar ser infalível. Todo mundo erra. A questão é como devemos agir depois de uma falha”.
Ouvir isso de um médico que ocupa um alto cargo na gestão de um dos maiores hospitais privados do país é sinal de uma louvável mudança cultural. Muito mais ainda precisa acontecer nas instituições de saúde para que a transparência deixe de ser apenas um discurso conveniente.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/cristiane-segatto/
A doença da saúde suplementar
A doença da saúde suplementar
Mauricio Ceschin
O chamado escândalo das próteses é um tema
importantíssimo, mas constitui apenas um dos sintomas nefastos de uma doença
maior: o modelo de remuneração de prestadores de serviços médicos,
principalmente hospitais.
É caso de polícia a indicação que alguns médicos fazem
de órteses, próteses e materiais especiais (OPME) sem a devida indicação
clínica com o simples propósito de aumentar seus ganhos financeiros.
A lógica por trás dessa prática, no entanto, é a mesma
que incentiva a indicação de uma enorme quantidade de exames e procedimentos
médicos: o modelo atual de remuneração, que estimula o consumo de OPME, de
materiais em geral, de medicamentos e de tecnologia como fonte de receita.
É importante dizer que, ao concentrar seu ganho no
almoxarifado, os hospitais buscam compensar a perda que têm com os valores de
diárias, taxas e serviços que vêm sendo comprimidos nas negociações com as
operadoras de saúde.
Esse modelo cria graves distorções, como a redução do
ganho da maioria dos médicos --que age com lisura--, comprimido por gastos
crescentes com insumos, que respondem às vezes por 60% de uma conta hospitalar,
e a realização de procedimentos desnecessários ou sem a devida comprovação de
indicação clínica.
Ademais, não há alinhamento com o propósito do sistema,
que deveria ser o de alcançar o melhor desfecho clínico com a melhor equação
custo-qualidade-efetividade e incentiva o desperdício em um setor que tem uma
carência crônica de recursos.
Para o consumidor de plano de saúde, essa situação se
traduz em mensalidades maiores e insegurança clínica. É um sistema que se
alimenta do aumento das receitas pagas pelos beneficiários, e não da
racionalidade no uso dos recursos.
Se não mudarmos esse modelo de remuneração, as
distorções podem até ser minimizadas, mas serão substituídas por outras mais
elaboradas. Vão continuar alinhadas a incentivos econômicos que atendem aos
interesses de alguns atores da cadeia produtiva, mas não aos daqueles de quem
se pretende cuidar. Tanto para hospitais como para operadoras, a mudança de
modelo é também desejável.
O que sistemas de saúde mais desenvolvidos praticam é
a chamada remuneração por pacotes e diárias globais, em que são negociados
valores fixos atrelados à condição clínica do paciente e a protocolos
balizadores de tratamento.
Alguns mais avançados já envolvem um percentual de
remuneração condicionado ao sucesso efetivo alcançado para o paciente. O nome
do jogo passa a ser o da eficiência: ganha mais quem tem melhor desempenho, e
não quem gasta mais.
No Brasil, essa mudança no modelo de remuneração ainda
encontra resistências. Vem sendo desvirtuada pela discussão a respeito de o
governo estender ou não a regulamentação na saúde suplementar para os
prestadores de serviço, como hospitais, uma vez que a ANS (Agência Nacional de
Saúde Suplementar) só regula as operadoras de saúde.
A própria ANS já tentou patrocinar essa mudança e, por
mais de dois anos, manteve um grupo de trabalho para a discussão do tema com
representantes de hospitais e operadoras. Esse esforço, infelizmente, não
atingiu objetivos práticos.
Interesses à parte, é difícil acreditar que o mercado,
por si só, será capaz de promover essa mudança. Urge que o Ministério da Saúde,
em conjunto com as agências reguladoras e demais órgãos envolvidos, conduza
esse processo vital para maior eficiência e sustentabilidade do setor. Essa é
uma ação imprescindível e estruturante que irá melhorar a saúde (e o bolso) de
mais de 50 milhões de brasileiros.
Fonte http://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/212410-a-doenca-da-saude-suplementar.shtml
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